Os escribas e fariseus disseram a
Jesus: Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos anciãos? Pois não
lavam as mãos quando comem pão. E Jesus por sua vez, respondeu com outra
pergunta: Por que transgredis vós também o mandamento pela vossa tradição?
Hipócritas, bem
profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os seus
lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram, ensinando
doutrinas que são preceitos dos homens (Mateus 15:1-9).
Jesus, com uma
perspectiva diferente e revolucionária questionava essas práticas externas,
destacando que o verdadeiro significado da espiritualidade vai além de meros
rituais e tradições. Ele aponta que o que realmente importa não é o que entra
no corpo, mas sim o que sai dele, ou seja, as palavras e ações que refletem o
coração das pessoas.
Jesus, com a sua
rara lucidez espiritual, havia superado inclusive os doutores da lei. Ele
compreendia os mínimos detalhes do que estava escrito no Velho Testamento, o
significado de cada palavra.
Segundo consta nos versículos descritos logo abaixo, Jesus teria escandalizado os fariseus religiosos com sua argumentação diferente que contradizia o Velho Testamento:
E, chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi e entendei: o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. (Mateus 15:10-11)
Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? Ele, porém, respondendo, disse: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são condutores cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova. (Mateus 15:12-14)
E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. Jesus, porém, disse: Até vós mesmos estais ainda sem entender? (Mateus 15:15-16)
Não foi Jesus
propriamente quem causou o suposto escândalo. Foram os fariseus religiosos que
se consideravam sábios e donos da verdade, que se escandalizaram (se
indignaram) com as palavras de Jesus, porque não foram capazes de
compreendê-las e as rejeitaram, devido a suas crenças antigas, adquiridas desde
a infância, baseadas no Velho Testamento.
Os discípulos de
Jesus questionam seu mestre sobre o porquê dos fariseus se escandalizarem com
suas palavras. Jesus, com sua sabedoria, explica que aqueles que se prendem
rigidamente às tradições antigas, sem compreender o verdadeiro significado por
trás delas, estão destinados ao fracasso espiritual. Ele os compara a
condutores cegos, incapazes de guiar a si mesmos ou aos outros no caminho da
verdadeira percepção espiritual.
Jesus exortava a olhar para além das regras e tradições externas, para buscar uma conexão mais profunda e autêntica com a nossa verdadeira essência. Ele desafiava as crenças antigas e estabelecidas, revelando uma realidade espiritual que ia além do que elas conheciam até então, o segredo que ele havia encontrado e experimentado na prática, o Cristo em nós (despertar da consciência espiritual). A esperança da Glória.
Há
pessoas cujas convicções lhes tornam intolerável qualquer menção a assuntos
incômodos. Não importa se tais assuntos são parte da natureza humana. É-lhes
necessário proteger a própria fé, já que ela é muito frágil.
Freud
esclareceu há muito tempo, num livrinho intitulado “O futuro de uma
ilusão”, como a recusa do real leva muitas pessoas a criar mitos para ajustar o
mundo ao que querem que ele seja. Quanto aos que de fato creem, os “absurdos”
linguísticos e conceituais lhes entram por um ouvido e pelo outro saem. Sua fé
não necessita de proteção. (Eloésio Paulo)
