Aqueles
que insinuam abertamente, ou discretamente, que Jesus provavelmente não era
humano (não veio em carne e osso como nós), e que, por isso, somente ele foi
digno, nos colocam à parte e “distantes” de nossa verdadeira identidade espiritual
interior.
Nesse caso, Jesus Nazareno seria
um ser humano especial e nós seríamos insignificantes. Logo, não seríamos dignos
do melhor, senão do pior (efeito reverso).
Isso significa artimanha da mente condicionada (sabedoria humana). Visão materialista disfarçada de religião e espiritualidade, a qual nega a nossa verdadeira identidade espiritual. Foi isso que o apóstolo João denominou de “anticristo” (I João 4:1-4).
Já muitos enganadores entraram no
mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador
e o anticristo. (II João 1:7)
Conforme consta no livro Nosso
Lar, apenas alguns poucos indivíduos conseguem descobrir a essência divina em
si mesmos, aqui e agora. A maioria estaciona, a multidão de almas que demoram
séculos e séculos recapitulando experiências.
Os primeiros seguem por linhas
retas, já os segundos caminham descrevendo grandes curvas (círculo vicioso da
mente dualista condicionada).
Assim repetem marchas, refazendo
velhos esforços humanos (doutrinas). Esforçando-se para serem “perfeitos”,
quando já somos essencialmente perfeitos, criados espiritualmente semelhantes a
Deus (Amor, Vida).
A doutrina moralista trata-se de
esforços em vão, porque ela reforça a crença no bem e no mal, atribuindo-lhe um
poder e realidade que não existem, senão na mente humana condicionada que assim
acredita.
Alguns podem dizer: “então eu
devo ser imoral?”. Não se trata de dualidade, de ser moralista ou imoral, de escolher
um dos lados dos conceitos intelectuais opostos. Precisamos ir além da mente
condicionada por estas crenças dualistas.
O problema é que o termo
“amoral”, que significa além da mente, dos conceitos opostos “moral” e
“imoral”, é mal interpretado.
Nem o dicionário conhece o significado da palavra “amoral” e a descreve como sendo também “imoral” por se
tratar de uma palavra neutra, sem dualidade. Ela não é moral nem imoral, é
amoral mesmo. Meio termo, equilíbrio.
Por exemplo, um verdadeiro
artista é amoral. No entanto, ele não é exatamente como sugere o dicionário:
“desprovido de senso moral, por falta de conhecimento, por indiferença ou por
reprovar os códigos morais”.
Na verdade, ser amoral,
espiritualmente falando, significa não ser contra nem a favor dos conceitos de
moral e imoral, por isso não julga nem condena. O indivíduo é livre, faz apenas
o que é preciso fazer, com sabedoria, amor e lucidez espiritual, se tiver.
Na verdade, um moralista é também imoral, devido à dualidade da mente condicionada. Ninguém é cem por cento moralista. Observe (Marcos 10:17-18).
Quem observar com atenção a
diferença entre os fariseus e Jesus vai descobrir que Jesus não era imoral, nem
moralista. Está bem claro, mas não quiseram averiguar e constatar até agora.
Jesus jamais teria feito aquela
revolução toda se estivesse preso e limitado a estes dois conceitos opostos
(moral e imoral).
Ele não reprovava os códigos
morais religiosos, mas transcendia, ia além deles, revelando a sua estupidez e
contradição. Do contrário, ele não teria feito nada de diferente e inovador,
teria apenas imitado os fariseus moralistas, como fez João Batista.
Afinal, no que resultou o
moralismo dos fariseus? Eles evoluíram como era esperado há milhares de anos?
Não, ficaram piores que antes. É difícil perceber isso?
Quando uma pessoa descobre realmente
a essência divina dentro de si (Cristo em nós), ela também percebe a mesma
verdade nas demais pessoas, independentemente de suas aparências externas e
condutas.
Segundo as raras palavras do místico Joel S. Goldsmith, que estudou com dedicação, por muitos anos, a Ciência Cristã americana:
Quando
não mais acreditarem no bem e no mal, não mais terão uma mente humana ou
mortal. Há limitação, finitude e negatividade apenas enquanto subsiste a crença
no bem e no mal.
Todo
o sofrimento da Terra, não importando sua forma ou natureza, é um produto da
crença universal em dois poderes; portanto, a harmonia universal só será
restaurada quando Deus for revelado como Onipotência.
Só
se experimenta o mal porque existe uma crença universal em sua realidade e em
seu poder. Na proporção em que você conseguir aceitar Deus como Onipotência, o
mal perde seu poder aparente, seu poder em crença.
Uma
vez tocado o centro de nosso ser, o Espírito é liberado, e então, em Sua
presença, mente e corpo já não podem mais funcionar de maneira prejudicial à
vida de ninguém. Matéria e mente tornam-se servos ou instrumentos sempre
construtivos. O corpo passa a ser governado pelo Espírito. E a mente, cuja
função natural é o pensar, passa a ser empregada pelo Espírito, o pensador
cujos pensamentos são espirituais e eternos.
Toda a nossa vida espiritual depende de nossa capacidade de compreender Deus e, a menos que compreendamos a onipresença e onipotência de Deus, não progrediremos nesta tarefa. (Joel S. Goldsmith)
É claro que inclusive eu, que já
havia estudado a filosofia da Seicho-No-Ie por vários anos, demorei alguns anos para
compreender melhor e experimentar um pouco o significado destas profundas
palavras de reconciliação espiritual.
Assim como aconteceu com Joel S. Goldsmith,
Jesus Nazareno também foi além das religiões moralistas (dualistas) de sua
época e alcançou a onipresença e onipotência de Deus (Vida eterna, Amor). Isso
só foi possível porque Jesus havia questionado as doutrinas moralistas de condenação
de sua época, os doutores da lei, considerados os donos da verdade. Afinal, ele
era humano como eu e você (I João 4:1-4).
Nietzsche foi um dos poucos
filósofos que percebeu, com precisão, a visão otimista de Jesus, a verdadeira
essência de seu raro ensinamento que se perdeu na história e, por isso, ele foi
odiado e caluniado também.
Os religiosos moralistas não conseguem perceber que o conceito intelectual “pecado” origina a relação de distância imaginária entre Deus e o homem (ser humano). Ou seja, segundo as palavras do sábio filósofo Nietzsche:
Em
toda a psicologia do “Evangelho” falta a noção de culpa e de castigo, assim
como a ideia de recompensa. O “pecado”, toda a relação de distância entre Deus
e o homem, fica suprimido – essa é precisamente a boa-nova. A felicidade eterna
não está prometida, nem ligada a condições: é a única realidade – tudo o mais
não passa de sinal para falar dela.
Jesus
tinha suprimido até a ideia do pecado – havia negado o abismo entre Deus e o
homem, viveu essa unidade entre Deus e o homem, que era a sua boa-nova!... E
isto não era para ele um privilégio!
Jesus, ao se considerar Filho de Deus e isento de pecado, alcançou o mesmo objetivo, o sentimento da completa isenção de pecado, da plena irresponsabilidade, que hoje qualquer homem pode adquirir através da ciência. (Nietzsche)
Cadê vocês, homens sinceros e
honestos, que priorizam a verdade espiritual e eterna? Como é possível ignorar
tais palavras de verdadeira reconexão espiritual entre Deus e o homem? Pois não
é possível reconciliar o homem com Deus pregando o contrário disso, enfatizando
a ideia de pecado, como os fariseus e João Batista faziam.
Eu sugiro ao leitor reler sempre
estas sábias palavras do filósofo Nietzsche e do místico americano Joel S. Goldsmith,
porque não encontramos palavras semelhantes em religiões e filosofias, as quais
geralmente ensinam o oposto disso. Ou seja, o oposto do que Jesus realmente
ensinou.
Quanto à expressão do filósofo Nietzsche “plena irresponsabilidade”, muitos criticam porque ainda não estão prontos para compreender.
Apesar da linguagem difícil do filósofo Nietzsche, nós podemos compreender melhor a sua expressão, sobre o estado de consciência da “completa irresponsabilidade”, através da abordagem mais simples do místico americano Joel S. Goldsmith. Vejamos:
Não cabe a nós nos vangloriar nem nos condenar ou assumir responsabilidades. Quando a responsabilidade vem, não deixemos que o “eu” humano se mostre e diga: “Como posso fazer isto? Como posso aperfeiçoar aquilo? Não tenho forças e nem dinheiro suficiente”.
Ao nos tornarmos espectadores de Deus e de Sua atividade, todo o sentido de responsabilidade pessoal cai por terra. Toda manhã começamos nosso dia com um sentimento de esperança de que o Pai irá se apresentar a nós. Frente a uma tarefa, sorrindo nos lembramos que Aquele que nos deu tal tarefa, a executará. O dia inteiro é preenchido com a alegria de observar a glória do Pai se desdobrando através de nossa experiência individual.
Nesse relacionamento com Deus, podemos relaxar, porque agora tudo o que Deus é, flui sem a interferência da palavra “eu”, o “eu” que diz: “Eu não sou suficientemente instruído; eu não tenho bastante experiência; eu sou jovem demais para isso; eu sou velho demais para aquilo”. Se há apenas Deus, haverá alguma falta de instrução ou experiência, ou qualquer problema de idade ou juventude? Não, pois para Deus tudo é possível.
Ao
mesmo tempo em que Deus é a mente ou inteligência universal, Ele também é a
mente ou inteligência individual. Portanto, a natureza de nossa inteligência e
capacidade será infinita e ilimitada, enquanto percebermos Deus como a
natureza, o caráter, a quantidade e a qualidade de nossa mente.
Aprendemos
que nossa mente é a de Cristo Jesus. Porém é necessário tomar consciência
disso. A mente de Deus transcende nossa formação e experiência e nos usa para o
seu propósito, quando a reconhecemos conscientemente como nossa mente
individual. Essa percepção, por menor que seja, nos diferencia de pessoas
comuns; nos tornamos pintores, artistas, escultores, músicos, poetas, videntes,
arquitetos, construtores, de uma forma ou de outra, porque estamos sendo
atraídos por algo maior do que nós mesmos, maior do que nosso conhecimento ou
nossa própria experiência.
À medida que estudamos, lemos ou meditamos, desenvolvemos um estado de consciência que reconhece o Pai interior como o único ator e a única atividade; assim estamos preparando o caminho para uma verdadeira experiência de Deus. No momento em que temos uma experiência de Deus, não vivemos mais nossa própria vida: Deus vive Sua vida sendo nós. (Joel S. Goldsmith)
Esta é a visão do Espírito
nobilíssimo, que encontrou a essência divina dentro de si mesmo. Se as
religiões moralistas (dualistas) percebessem como estas palavras são profundas
e fundamentais, nunca mais achariam que são as donas da verdade.
Eu tive acesso ao conteúdo de
Goldsmith alguns anos após ter lido o livro O Poder do Agora, de autoria de Eckhart
Tolle. Ou seja, apesar do vislumbre de iluminação que eu obtive através deste
livro, não foi suficiente. Pois precisei estudar e meditar nas palavras de
Goldsmith, durante alguns anos, para começar a compreender e sentir a sua
veracidade.
Conforme podemos perceber, as palavras de Joel S. Goldsmith e do filósofo Nietzsche, a respeito da nossa capacidade espiritual interior, vão ao encontro também das palavras do apóstolo Paulo. Por exemplo:
Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica. (II Coríntios 3:5-6)
Estas são palavras positivas ao
nosso respeito, e não negativas, como outros interpretam. Pois, se não somos
capazes nem mesmo de pensar alguma coisa, como de nós mesmos, então quem é capaz?
Afinal, nós conseguimos pensar, ou pelo menos parece. Tal capacidade está em
nossa verdadeira identidade espiritual interior!
Infelizmente, a mente tem pensado
por nós ao tomar o controle de nossa vida. Precisamos despertar a consciência
espiritual e voltar a pensar por conta própria, silenciado o barulho mental
automático, a disfunção mental da humanidade.
A nossa verdadeira capacidade de
pensar, de fazer escolhas conscientes vem de Deus. Precisamos experimentar este
estado de consciência e lucidez que perdemos há muito tempo.
Como sugere o livro Nosso Lar, o objetivo
essencial da jornada espiritual interior é o despertar da consciência espiritual
de cada indivíduo, aqui e agora, através do contato interior agora, e não no
futuro imaginário da mente (depois).
Para tanto, é preciso se considerar digno primeiro e meditar diariamente, em silêncio, no significado das palavras sobre a nossa Vida eterna. Saber disso ajuda muito e vale mais do que ler milhares de livros equivocados e superficiais.
É necessário prestar atenção ao
que tem real valor eterno (permanente). Não se apegar mais ao que é aparente
(impermanente). Ilusório.
O conteúdo aqui escrito é apenas
uma breve iniciação espiritual. A verdade espiritual não é monopólio de
ninguém.
Você é o Caminho, a Verdade e a
Vida. Volte-se para dentro de você e conheça quem você é essencialmente.
