Vejamos o que diz o livro Nosso Lar (psicografia), sobre o despertar da Consciência Crística, ou da consciência espiritual de cada
indivíduo, em apenas um parágrafo.
Caso o leitor tenha algum preconceito a respeito desse estilo literário, deixe-o de lado porque vale a pena conhecer:
Alguns poucos seguem resolutos, visando ao objetivo essencial da jornada. São os espíritos nobilíssimos, que descobriram a essência divina em si mesmos, marchando para o alvo sublime, sem vacilações. A maioria, no entanto, estaciona. Temos então a multidão de almas que demoram séculos e séculos, recapitulando experiências. Os primeiros seguem por linhas retas. Os segundos caminham descrevendo grandes curvas. Nessa movimentação, repetindo marchas e refazendo velhos esforços, ficam à mercê de inúmeras vicissitudes. Assim é que muitos costumam perder-se em plena floresta da vida, perturbados no labirinto que tracejam para os próprios pés. Classificam-se, aí, os milhões de seres que perambulam no Umbral. (Nosso Lar, autor Chico Xavier, pelo Espírito André Luiz)
Sabemos que há pessoas que não
acreditam em psicografias. Inclusive, há muitos religiosos que discriminam
devido ao preconceito. No entanto, o conteúdo deste parágrafo é simplesmente
preciso e revelador.
Na verdade, a doutrina inicial do
Espiritismo Kardecista precisou também se adequar às crenças religiosas, devido
à necessidade da época em que ela surgiu.
É preciso, agora, dar um passo à
frente, como acontece através dos interessantes livros psicografados. Embora
estes livros ainda utilizem estratégias (rudimentos), porém mais flexíveis,
enquanto for necessário, até que as pessoas estejam prontas para compreender e
experimentar o essencial.
Isso acontece porque as pessoas
em geral aprenderam, desde a infância, através das religiões moralistas (dualistas),
a não se considerar dignas, merecedoras, nem capazes, devido à ideia de “pecado”
(punição) herdada, e inconscientemente se recusam a alcançar (experimentar).
Assim, são poucas as pessoas que conseguem
descobrir e experimentar a essência divina dentro de si mesmas, aqui e agora, e
tomam o caminho reto, sem curvas. A maioria estaciona, ou demora séculos e
séculos, recapitulando experiências através das reencarnações.
Embora muitos ainda acreditem que a reencarnação não passa de um dogma. A
reencarnação serve exatamente para os milhões de almas que perambulam aqui e no Umbral recapitulando experiências indefinidamente. Porém, ela não servirá mais para
aqueles que descobrem a essência divina em si mesmos, aqui e agora.
Foi exatamente a crença nos
conceitos intelectuais opostos, bem e mal, moral e imoral, a responsável pela
nossa aparente expulsão do Paraíso. A malícia da mente condicionada, a causa da
“perda” da nossa inocência, a inocência das almas viventes.
Os pares de conceitos opostos
cruzados, semelhantes aos pontos-cruz, tecem um “tecido mental”, como uma teia
de aranha. Aquilo que chamam de tela mental, que nos aprisionam em vão. São as
crenças coletivas. Prisão virtual (abstrata).
Mas, afinal, como descobrir a essência divina em si mesmo, dentro de nós (Cristo em nós), se ainda ensinam que somente Jesus Nazareno (humano) foi digno e que o ser humano em geral é mau e pecador por natureza (essencialmente)? Entre outros equívocos a respeito de nossa verdadeira identidade espiritual.
Também não há nada de errado conosco, ou com o nosso Espírito interior feito a imagem e semelhança de Deus. O nosso único "obstáculo" é a nossa identificação com a nossa mente condicionada pelas crenças dualistas. Precisamos "dissociar" a nossa consciência espiritual da mente condicionada.
Segundo consta no Evangelho de
João, “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em Espírito e em
verdade” (João 4:24). “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (I João 1:5).
Apenas há espíritos que perambulam no Umbral e aqui devido suas crenças. Permanecem inconscientes espiritualmente agora e após a morte.
O apóstolo João disse que Jesus era humano, de carne e osso, assim como cada um de nós, claro, conforme está escrito em I João 4:1-4. E, mesmo assim, ele alcançou aquela lucidez espiritual sublime, aqui e agora. Logo, nós também somos dignos e podemos.
Quando rejeitamos tal realidade
simples, crendo que Jesus era sobre-humano e que nós somos inferiores, nos
“distanciamos” do Espírito de Cristo (Consciência Crística interior), de nossa
verdadeira natureza espiritual (Cristo em nós), porque não nos consideramos dignos da Vida
eterna também (Atos 13:44-46), como os fariseus da época de Jesus.
O que faz muitos pensarem assim é
exatamente a ideia de “pecado” (punição) herdada. Isso significa confundir a
personalidade humana com a nossa essência, a Vida eterna (Amor).
