Segundo a
alegoria bíblica, Adão e Eva já se
encontravam nus (de roupas e de conceitos opostos). Naturais, inocentes e
espontâneos. Sem disfarces, verdadeiros, sinceros
e simples. Sem hipocrisias (fermento dos fariseus).
Na
verdade, neste estado de consciência espiritual elevado, não havia nenhum
motivo para ter vergonha nem medo, porque a realidade é natural e espontânea, antes
do julgamento da mente humana condicionada e soberba.
A
mente humana dualista condicionada e maliciosa, não pode compreender o estado
de consciência espiritual inocente. Bastaria contemplar as demais almas
viventes inocentes, como nós éramos.
Enquanto
isso, os animais (almas viventes) vivem apenas para satisfazer seus instintos.
Porém, nós temos a consciência espiritual, que nos concede propósitos mais
elevados, além dos instintos animais que também possuímos.
Agora, vejamos a inocência que tínhamos no jardim do Éden, que muitos ainda insistem em ignorar, apesar de estar escrito:
E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam. (Gênesis 2:25)
E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável
aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e
comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então, foram abertos os
olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e
fizeram para si aventais. (Gênesis 3:6-7)
Devemos
considerar que, antes de o ser humano “ingerir” o “fruto do conhecimento”, os
conceitos intelectuais opostos (bem e mal), havia paz, amor, harmonia,
abundância e plenitude. É como disse o apóstolo Paulo: “Onde
não há lei também não há transgressão” (Romanos 4:15).
Na verdade, nossos
“olhos” se abriram para a mentira e loucura da mente condicionada. Esquecemos
quem somos espiritualmente. A crença que adquirimos na “realidade”
ilusória do bem e do mal ao mesmo tempo nos escravizou.
Consta que
eles próprios, Adão e Eva,
coseram folhas de figueira, e fizeram aventais. Porém, mais adiante, no
versículo 21, consta que o “Senhor Deus” fez túnicas de peles de animais e os
vestiu. Isso demonstra que eles foram adquirindo novas habilidades e
aprimoraram suas vestes atuais, que antes não eram necessárias, porque não se
envergonhavam de viver nus na natureza.
Não
esquecendo que o termo “Senhor Deus” simboliza a consciência espiritual individual
deles, cujas mentes agora estavam condicionadas pelas crenças opostas de bem
e mal (malícia mental).
O curioso é
que, quando muitos leem e dão explicações sobre isso, apoiam totalmente a
malícia mental que o ser humano adquiriu, através da mentira da mente
condicionada.
Quanto à mulher,
ao experimentar primeiro do “fruto do conhecimento” (intelectual), a narrativa
está dizendo que ela se identificou com o intelecto superficial (devaneio)
primeiro que o homem, caso o patriarcado não tenha invertido a situação.
Devido ao
estado de consciência espiritual elevado que já possuíamos no jardim do Éden, antes
da crença no bem e no mal, tínhamos um intelecto em um nível superior, e não o
intelecto superficial atual (pobre e materialista). Limitado. Pelo menos, é o
que está evidente no livro do Gênesis.
Por isso,
evitamos o termo “evolução espiritual” e optamos por “despertar espiritual”. O
despertar da inconsciência para a consciência espiritual. Ou seja, já
éramos conscientes ou despertos espiritualmente e a nossa consciência
“adormeceu”. É disso que trata o livro do Gênesis, embora muitos estudiosos da
Bíblia pareçam não perceber.
O ser humano
era inocente, ambos estavam nus, o homem e a mulher, e não se envergonhavam
disso, claro. Eles não conheciam os conceitos intelectuais opostos de bem e
mal, moral e imoral, entre muitos outros que surgiram posteriormente, por isso
viviam nus e não se envergonhavam.
Após “comer”
(assimilar) o “fruto do conhecimento” (conceitos), da árvore da ciência do bem
e do mal (corpo humano, cérebro duplo), seus “olhos se abriram” para
tais conceitos intelectuais opostos e maliciosos. Ou seja, seus “olhos” se
abriram para uma “realidade” falsa e doentia.
A partir
daí, perderam a inocência e a espontaneidade anterior. Conheceram a malícia da
mente condicionada (julgamento mental e preconceitos). Por isso, deixaram de
ser quem realmente eram e passaram a utilizar artifícios físicos e psicológicos,
após experimentarem a vergonha (insegurança, timidez) que não existia.
A malícia e o julgamento da mente dualista
condicionada fizeram o ser humano ficar desconfiado, com medo e inseguro, sem necessidade.
Depois ficou tudo difícil e complicado, porque “saímos” ou nos “desconectamos” de
nosso paraíso interior (paz interior, confiança), e o paraíso exterior ou
físico, que é um reflexo do paraíso interior, também ficou conturbado, pobre e
doente, consequentemente.
