Jesus havia dito que “veio para colocar o homem contra seu pai, e
a filha contra sua mãe” (Mateus 10:34-42). É claro que isso não foi
proposital. Jesus não se referiu a ele, enquanto um indivíduo, mas a um estado
de consciência espiritual, um processo que o intelecto linear não compreende.
Por exemplo, de repente você
desperta para uma percepção espiritual mais profunda, uma consciência que
transcende as fronteiras do que é convencionalmente aceito. Essa nova visão é geralmente solitária inicialmente, pois você se encontra em desacordo com as
normas e expectativas daqueles ao seu redor, especialmente de seus próprios
familiares e amigos mais próximos.
Ao ver a realidade
de forma mais clara e sem máscaras, você se torna uma espécie de “estranho no
ninho”, confrontando a hipocrisia e os padrões superficiais que permeiam nosso
mundo. Você percebe que a verdadeira essência da vida vai além das aparências e
das convenções sociais.
Essa mudança de
perspectiva causa estranhamento e até mesmo hostilidade por parte
daqueles que estão acostumados com a versão mais superficial da realidade. A pessoa subitamente entra em desacordo com o status quo, desafiando as
crenças e expectativas daqueles ao seu redor.
Todavia, alcançar determinado estágio de despertar espiritual não significa exatamente que nos tornamos pessoas especiais. Continuamos sendo uma pessoa comum ou mortal, criticada e caluniada, mesmo não tendo mais vícios, carências (compulsões).
Não deixamos de ser
um ser humano simplesmente porque experimentamos algum grau de lucidez
espiritual. Ainda temos um corpo físico, aversão e inclinação. Porém agora
sobre a supervisão da consciência espiritual.
Em determinado
nível de consciência espiritual experimentado, vamos perdendo os vínculos
materiais. O nosso reino não é mais deste mundo. Pouco importa o romantismo, o
amor condicional, senão o Amor universal, além do paparico do ego humano.
Quem
ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou
a filha mais do que a mim não é digno de mim. (Mateus 10:37)
Existe uma
expectativa dos parentes e amigos de que sejamos como éramos, mas houve uma
mudança. Esta mudança causa estranheza, principalmente para os mais próximos.
Na verdade, cada
pessoa, religiosa, ateu ou livre-pensador, está em seu nível de iniciação
espiritual. Do estágio materialista, o indivíduo passa para o estágio mental e
depois para o estágio espiritual. A maioria permanece no estágio materialista.
Muitas pessoas que
estão ainda no estágio mental acreditam que já estejam no estágio espiritual.
Para perceber em qual estágio você realmente está, dê uma olhada no conteúdo de
Joel S. Goldsmith. De preferência, não somente leia, ouça também sua mensagem
dublada através do YouTube. Existe diferença entre ler e ouvir. Assimilamos
melhor, das duas maneiras.
Basta pensar
diferente, para a maioria começar a estranhar. Por exemplo, eu tenho muitos
parentes evangélicos, que geralmente me evitam porque a minha abordagem sobre
Jesus é diferente. Por isso, acham que eu sou ateu, ou anticristo. Porém, este
é um julgamento a meu respeito, bastante superficial.
Inclusive, alguns
parentes mais queridos e mais inteligentes me estranharam também. No entanto,
eu tive apenas alguns vislumbres da iluminação espiritual (estado alterado de
consciência), imagine se eu experimentasse a consciência e lucidez espiritual
de Jesus Cristo.
Ao alcançarmos determinado estágio de despertar espiritual, acontece exatamente isso a nossa volta, ou seja, é um padrão mental:
Se nós damos o passo decisivo e tomamos o caminho denominado “próprio”, subitamente revela-se para nós um segredo: todos, também os que nos eram próximos e amigos, imaginavam-se até então superiores a nós e ficam ofendidos. Os melhores entre eles são indulgentes, e com paciência aguardam que encontremos de novo o “caminho certo” – que eles conhecem! Os outros zombam e fazem como se tivéssemos temporariamente enlouquecido, ou indicam maliciosamente um sedutor. Os mais maldosos declaram que somos loucos vaidosos e procuram denegrir nossos motivos, e o pior de todos nos considera seu pior inimigo, um inimigo sequioso de vingança por uma longa dependência – e tem receio de nós. (Nietzsche)
Vale lembrar que
isso não acontece somente com os outros, acontece conosco também. Ou seja, em
algum momento de nossa vida, já agimos assim com alguém que alcançou mais
lucidez espiritual do que nós. O problema é o julgamento da mente de alguém
muito “inteligente”. A mente soberba lhe autossabota e a pessoa nem percebe.
Apenas falar ou
escrever sobre isso, como o filósofo Nietzsche também fez, não é suficiente. É
preciso experimentar esse estado de consciência espiritual diferenciado, para
saber de fato como é, mesmo que inicialmente seja uma experiência provisória, um simples vislumbre da iluminação.
