Em nossa peregrinação pela vida,
carregamos conosco um fardo invisível: as crenças que nos foram incutidas desde
a mais tenra infância. São como correntes que nos mantêm presos em um mundo de
ilusões e limitações, moldando nossa visão de mundo e condicionando nossas ações.
As crenças nos oferecem uma
sensação de segurança e familiaridade em um mundo cheio de incertezas. No
entanto, ao nos agarrarmos a essas
crenças, limitamos nosso potencial de crescimento e desenvolvimento pessoal e
espiritual.
Pode ser que você pergunte: por que alguém resistiria à oportunidade de alcançar a liberdade do condicionamento da mente? A resposta reside no medo do desconhecido. É natural que tenhamos receio do que está além do nosso entendimento e controle.
Um exemplo disso é
o medo da morte, algo que muitos de nós preferem evitar ou ignorar. Para
alguns, a ideia de uma vida após a morte pode parecer reconfortante, enquanto
para outros, é uma fonte de ansiedade e desconforto. No entanto, ao abrir
nossas mentes para a possibilidade de uma realidade eterna, transcendemos as
limitações do pensamento materialista e encontramos uma liberdade que vai além
das restrições físicas.
Mas como podemos
alcançar essa liberdade? Na verdade, a percepção espiritual vai além do
intelecto teórico. É necessário abrir nosso coração e mente para experiências
diretas e intuitivas, permitindo-nos mergulhar na essência da Vida e da
existência através da meditação e contemplação da natureza.
De uma forma ou de
outra cada um de nós está em uma trajetória única e pessoal em busca da verdade
sobre quem realmente somos essencialmente.
Não existe uma
abordagem única ou um único “mestre” que possa nos guiar nessa trajetória. Em vez
disso, devemos estar abertos para aprender com uma variedade de fontes e
perspectivas, cada uma oferecendo uma visão única da realidade eterna.
É preciso deixar de lado crenças arraigadas e abraçar uma nova maneira de
pensar e contemplar a realidade. Esse processo
de desconstrução é essencial para nosso crescimento pessoal e espiritual.
O termo “mestre” eu
escrevo entre aspas porque o mestre nunca é o indivíduo, mas o que a Bíblia
chama de Cristo ou Espírito da verdade (lucidez espiritual).
Um “mestre” ou um
indivíduo desperto espiritualmente, que não se preocupa com rótulos, nem
status, sempre separa o joio do trigo e destrói as crenças velhas que herdamos
desde criança, as quais nos escravizam, assim como Jesus fez abolindo as lições
do Velho Testamento (II Coríntios 3:14). Isso não é tão fácil de encarar e de "digerir", como pode imaginar nossa mente sonhadora e romântica.
Quando não estamos prontos, evitamos e fugimos. Inclusive, às vezes nos voltamos contra o “mestre” ferozmente, porque ele/ela abala e desfaz nossas crenças, de muitas das quais gostamos muito.
O
instinto profundo da maneira como se deve viver, a fim de o homem se sentir “no
céu”, para se sentir “eterno”, enquanto qualquer outro comportamento impede que
uma pessoa se sinta “no céu”: essa é a única verdade da psicologia da
“redenção”. Uma vida nova, não uma nova fé. (Nietzsche)
