É o Espírito que vivifica, porém,
a carne para nada aproveita com relação a nossa Vida eterna, o pão da Vida (João
6:63-65).
Penas que restou
apenas resquícios do que Jesus falou sobre isso.
Muitos discípulos abandonaram a Jesus, porque ele havia dito estas palavras abaixo, entre outras semelhantes:
Na
verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. Eu
sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. (João
6:47-49)
Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer? (João 6:51-52)
Jesus, nesse caso,
não estava se referindo à crucificação, como alguns interpretam, conforme
veremos mais adiante, quando ele simplificou e concluiu o que estava dizendo.
O pão vivo que
“desceu” do “céu” não significa um indivíduo físico, como, por exemplo, Jesus
Nazareno, como muitos entendem, porém, a sua verdadeira identidade espiritual (Cristo
em nós).
Quando Jesus fala sobre “carne” e “pão da vida”, ele está se referindo à nossa conexão espiritual com “Ele”, com a Vida eterna (nossa essência espiritual). Ele ensinava a transcender as limitações da mente humana condicionada e a experimentar nossa verdadeira natureza divina além da forma física.
Conforme consta, os
religiosos daquela época, não compreendiam o que Jesus estava dizendo. Eles
pensavam que ele se referia à carne de seu corpo físico (como muitos ainda hoje). Porém, a “carne” a que
Jesus havia se referido significa a substância da realidade da nossa verdadeira
identidade espiritual (Vida eterna, Espírito vivo). Consciência espiritual, lucidez.
Esta “carne” é o mesmo
“pão” que o misterioso Melquisedeque “deu” a Abraão e por isso, Abraão mudou de
ideia, de foco, com relação a sua crença anterior, quando ele saqueava bens materiais e matava os reis. Porém, infelizmente tentaram
ocultar no Velho Testamento esta realidade da humanidade.
Comer esse “pão”, a
“carne” de Cristo que é Espírito eterno, significa absorver, assimilar esta
realidade que transcende os cinco sentidos. Experimentá-la, torná-la como carne
de nossa carne através da percepção espiritual. E isso não acontece de uma hora
para outra.
A meu ver, além da ignorância do povo, o problema era o vocabulário e a expressão daquela época. Por isso, para facilitar a assimilação do que acabara de dizer, Jesus exemplificou em seguida:
O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há alguns de vós que não creem. Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido. (João 6:63-65)
Em outras palavras, eu não estou me referindo à carne de meu corpo físico; a carne do corpo físico para nada aproveita. Na verdade, é o Espírito que vivifica e não o corpo, a matéria. O que importa é compreender o significado de minhas palavras sobre a Vida eterna. Elas contém Espírito e Vida para aqueles que já podem compreender e experimentar.
Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. (I João 3:1; ARA – Almeida Revisada e Atualizada, 1993)
[...] maior é o que está em vós do que o que está no mundo. (I João 4:4)
As palavras que eu
vos disse agora significam Espírito e Vida eterna. Mas há alguns entre vós que
ainda não podem crer nesta realidade transcendental. Por isso eu disse que
ninguém pode vir a Mim se por meu Pai não lhe for concedido. Ou seja, só pode
quem já está pronto para compreender e assimilar o significado de tais
palavras, a respeito da nossa Vida eterna.
Segundo o último
versículo demonstrado, o 65, ninguém pode alcançar, sentir ou experimentar
agora o Cristo interior (nossa essência) caso não esteja pronto. Nesse caso,
como aconteceu, a pessoa não consegue assimilar e ainda discorda, porque sua
visão é ainda muito superficial e materialista, sendo ou não religiosa.
As palavras que
significam Espírito e Vida eterna, a que Jesus se referiu, não eram as mesmas
palavras (doutrinas) a que os religiosos já estavam acostumados, desde a
infância. Eram novidade.
Portanto, quem
propõe com boa intenção uma suposta “redenção”, mas não tem, ou não domina as
palavras que promovem a convicção da Vida eterna, é impostor. Pois muitos ainda
acreditam que, após a morte do corpo físico, o Espírito fica dormindo. Essa
visão não difere muito da visão de um ateu materialista.
Tais palavras de
reconexão espiritual interior não significam doutrinas religiosas, ou alguma
condição imposta obrigatoriamente para que possamos “adquirir” ou “ter direito”
à Vida eterna. As doutrinas intelectuais são apenas barganhas (crenças) que nos
distraem do objetivo essencial.
A Vida eterna somos
nós mesmos aqui e agora, além das aparências físicas. Embora não seja a mente,
nem a personalidade, ambas “virtuais”. A nossa Vida espiritual interior é real,
substancial e eterna.
Não pode haver a
possibilidade de redenção (reconexão
espiritual) sem compreender, assimilar e vivenciar as palavras de Vida eterna,
ensinadas por Jesus Cristo e outros indivíduos iluminados.
As palavras a que
Jesus havia se referido, que são Espírito e Vida, são palavras capazes de tirar
o indivíduo da prisão de sua própria mente condicionada, do sonho e devaneio,
enquanto o mesmo acredita que ele é o corpo material, os pensamentos e a
personalidade.
Através do avanço
da Física Quântica, a humanidade será esclarecida a respeito da Vida eterna
(nossa verdadeira natureza espiritual), ao constatar cientificamente que tudo o
que percebemos através dos cinco sentidos limitados não são tão sólidos quanto
parecem.
Enquanto isso, é
necessário ir além da teoria científica também, experimentar e constatar
pessoalmente a nossa Vida espiritual interior. Do contrário, o conhecimento
será apenas teoria intelectual.
É preciso sentir e
experimentar a Vida espiritual interior agora, além do conhecimento intelectual
sobre ela. O único “obstáculo” é a limitação ilusória de nossa própria mente,
através das crenças dualistas adquiridas quando nascemos aqui.
Enquanto estamos
“vivendo” dentro do labirinto da mente dualista condicionada, recordando o
passado e projetando o futuro, ambos imaginários, estamos em devaneio, sonhando
“acordados”, inconscientes, e a mente condicionada nos domina. Isso significa
insanidade.
Precisamos transcender, ir além do condicionamento da mente humana.
A
vida não me desapontou! Pois, a cada ano já passado, eu a considero mais
verdadeira, mais desejável, mais misteriosa... desde o dia em que veio para mim
a grande libertadora, a ideia de que a vida podia ser experiência para aqueles
que procuram saber, e não dever, fatalidade, trapaça!... E com relação ao
conhecimento, seja ele para outros aquilo que quiser, um leito de repouso, ou o
caminho para um leito de repouso, ou distração ou ócio, para mim é um mundo de
perigos, é um universo de vitórias onde os sentimentos heroicos têm a sua sala
de baile. “A vida como um meio de conhecimento”: quando se tem este princípio
no coração, pode viver-se não somente corajoso, mas feliz, pode-se rir
alegremente! (Nietzsche)
