No Evangelho de Lucas,
encontramos uma passagem onde Jesus fala sobre João Batista e sua importância
como profeta neste mundo. Jesus destaca que, entre todos os nascidos de
mulheres, João Batista foi um dos maiores profetas. Isso reflete a reverência e
a importância que as pessoas atribuíam a João Batista naquele tempo.
Entretanto, Jesus
faz uma observação peculiar: mesmo sendo um grande profeta neste mundo terreno,
João Batista é considerado menor no Reino de Deus em comparação com outros.
Isso pode soar um tanto enigmático à primeira vista, mas vamos analisar.
Tudo começa no Evangelho de Lucas, capítulo 7, a partir do versículo 24, onde Jesus se refere às profecias do Velho Testamento, a respeito de João Batista. Ou seja:
E
eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que
João Batista; mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele. (Lucas 7:28)
Ou seja, aqui neste
mundo, João Batista era de fato um “grande” profeta, dada a importância que o
povo leigo lhe concedia. Porém, o menor no Reino de Deus era maior do que ele.
Em outras palavras,
João Batista era um “grande profeta” somente aqui (relativamente,
aparentemente), devido à sua doutrina religiosa familiar. Porém, muitos não
compreendem a comparação que Jesus fez.
Enquanto isso, nos
versículos a seguir, todo o povo e os publicanos, que foram batizados com o
batismo de João Batista, justificaram a Deus. Ou seja, acreditaram e
concordaram com a profecia do Velho Testamento, ensinada por João Batista,
menos os fariseus e os doutores da lei.
Os publicanos,
embora fossem marginalizados pelas religiões da época, estavam mais abertos a
novas ideias e ensinamentos diferentes porque não tinham comprometimentos religiosos. Por outro lado, os fariseus e doutores
da lei, que já estavam firmemente estabelecidos em suas crenças, resistiram à
mensagem de João Batista, mesmo que essa mensagem estivesse alinhada com as
profecias do Velho Testamento, simplesmente porque era uma abordagem um pouco
diferente do que eles conheciam.
Somente pessoas de
mente aberta se permitem estudar uma abordagem diferente daquela que já estão
acostumadas.
Essa passagem nos
faz refletir sobre como lidamos com novas ideias e ensinamentos diferentes em
nossa própria vida.
Será que estamos
abertos para expandir nossas perspectivas e aceitar a verdade, mesmo que ela
desafie nossas crenças preestabelecidas? Ou estamos presos em nossas próprias
mentalidades rígidas, incapazes de enxergar além do que já conhecemos?
Entretanto, o Antigo Testamento apenas profetizou sobre a missão de João Batista que seria preparar o caminho do Senhor. Ou seja, facilitar o entendimento sobre o mistério Cristo em nós. Mas ele falhou nesse quesito. Ele elaborou uma doutrina baseada na crença judaica. Por isso, Jesus mostrou a diferença entre a visão dele e a de João Batista e muitos não percebem.
Portanto, os fariseus e os doutores da lei, já estando apegados e comprometidos com suas religiões, rejeitaram o conselho de “Deus” (conselho do Velho Testamento), devido a não terem aceitado o batismo e a pregação de João Batista, que o próprio Velho Testamento profetizou. Por exemplo, observe a sequência dos versículos:
Este
é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu anjo diante da tua face, o
qual preparará diante de ti o teu caminho. (Lucas 7:27)
E
todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de
João, justificaram a Deus. (Lucas 7:29)
Mas
os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si
mesmos, não tendo sido batizados por ele. (Lucas 7:30)
E disse o Senhor [Jesus]: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros e dizem: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não chorastes. (Lucas 7:31-32)
Muitos tentam interpretar estes últimos versículos através de textos na internet e não alcançam o significado. Jesus comparou os religiosos fanáticos, os fariseus e os doutores da lei, que já pregavam o conteúdo do Velho Testamento, como muitos ainda pregam, como sendo meninos ingênuos.
Eles se
consideravam suficientes (donos da verdade), no entanto alguns reclamavam que
não eram ouvidos nas praças.
Suas “flautas”
tocam de forma dissonante; suas lamentações já não comovem quase ninguém (hoje,
sobre a crucificação de Jesus, por exemplo). Jesus já sabia o que
ia acontecer após sua morte, que tudo aquilo se repetiria no futuro.
Os homens daquela
geração são semelhantes a quem? São como crianças ingênuas, que, assentadas ou
esperneando nos palcos e nas praças, clamam umas às outras e dizem: Nós tocamos
e não dançastes; cantamos lamentações e não chorastes; falamos, pregamos o
“Evangelho” e não ouvem.
Jesus, com a sua
rara lucidez espiritual, se referia à saturação da religião e à mudança de
estágio de iniciação espiritual. Na verdade, o povo se cansa naturalmente da
mesmice de sempre e anseia intimamente por algo novo, mesmo que o novo não seja
tão novo quanto prometido, como era o caso da religião de João Batista.
Jesus se referiu
aos fariseus e aos doutores da lei, porque eles não aceitaram nem a doutrina de
escravidão de João Batista, nem as palavras de amor e liberdade de Jesus
Cristo.
