Os religiosos, firmemente ancorados em suas crenças, reagiram com desconfiança e até mesmo com violência e tentaram apedrejar Jesus, pois consideravam blasfêmia alguém afirmar uma unidade com Deus (João 10:31-33).
Entretanto, Jesus explicou que a conexão entre ele e o Pai não era exclusiva, mas uma verdade fundamental que se estendia a todos. Ele apontou para as páginas antigas das Escrituras, onde até mesmo aqueles que o acusavam encontrariam referências à divindade da humanidade.
Jesus, com paciência, tentava mostrar que todos eram, de certa forma, divinos. Uma mensagem de amor e aceitação, perdida na rigidez das tradições e das crenças dogmáticas da época.
Portanto, podemos ver essa passagem não apenas como um debate teológico, mas como um esclarecimento sobre a nossa verdadeira identidade eterna.
Jesus tentou ensinar aqueles que o rejeitavam a enxergar além das fronteiras estreitas de suas crenças, a abraçar a ideia de que a divindade está presente em todos nós, mesmo que não a reconheçamos.
Ao examinarmos com atenção essas palavras antigas, podemos encontrar uma lição atemporal de humildade e compreensão sobre a realidade de nossa eternidade além da forma provisória.
Agora vejamos como tentaram interpretar o que Jesus havia dito:
Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus? (João 10:35-36)
Na verdade, a lei ou o conteúdo do Velho Testamento chamou de deuses não somente aqueles a quem a palavra foi dirigida ou quem ouviu algo a respeito. Apenas afirmou que todas as pessoas são seres espirituais, independentemente de serem religiosas ou não.
A narrativa que insere dúvidas e obstáculos, eu chamo de ranço religioso farisaico. Escreveram assim porque não acreditavam também.
Se a Escritura (Velho Testamento) não pode ser anulada de fato, então por que Jesus aboliu as lições do Velho Testamento, conforme está escrito?
Até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido. (II Coríntios 3:14)
É interessante que é mesmo um “véu” psicológico que veda nossa “visão”. Só começamos a “enxergar” quando estamos prontos.
E, quanto “àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo”, é outra desculpa religiosa. Não é assim que acontece. Deus não santifica ninguém e depois envia ao mundo. O que é enviado é o Espírito e não o indivíduo. O indivíduo é sempre um instrumento. Por exemplo:
Daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já o não conhecemos desse modo. (II Coríntios 5:16)
Acontece apenas o despertar da consciência espiritual quando o indivíduo compreende a verdade espiritual e está pronto. É um processo. Por isso que Jesus começou a ensinar a partir dos 30 anos de idade. Não foi por acaso.
O trecho do Novo Testamento, descrito em João 10:30-34 é muito interessante e relevante, por isso vamos recapitular para compreender melhor.
Ou seja: os indivíduos daquela época apegados a Bíblia, ao Velho Testamento, apesar de religiosos, considerados bons, sábios e donos da verdade, pegaram em pedras outra vez para apedrejar a Jesus, porque ele disse “Eu e Deus somos um”.
Nesse caso, Jesus respondeu sabiamente: “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual dessas obras pretendem me apedrejar?” Eles responderam: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”. Aí Jesus respondeu: “Não está escrito na vossa lei: vós sois deuses?” (João 10:30-34).
Segundo tais versículos bíblicos, aqueles indivíduos religiosos, que seguiam a Bíblia (Velho Testamento) ao pé da letra, sabiam que Jesus era humano como eles, claro, e não uma pessoa sobre-humana (fictícia), como se ensina hoje no mundo inteiro, quando afirmaram que era uma blasfêmia o fato de Jesus, sendo homem também (de carne e osso), se considerar Deus ao mesmo tempo (I João 4:1-3).
É interessante observar que as evidências das obras boas (concretas) do homem Jesus não eram suficientes para convencer aquela mentalidade religiosa fanática, que ele era guiado pelo Espírito de Deus, porque davam prioridade às crenças pessimistas e materialistas do passado, baseadas nas interpretações de um livro antigo (Velho Testamento).
As crenças religiosas eram consideradas mais importantes que os fatos (evidências), como ainda hoje, quando ignoram as experiências verídicas denominadas de “quase morte” (EQM) e os fenômenos ufológicos globais.
A prioridade continua sendo as crenças religiosas e materialistas, e não os fatos reais experimentados e comprovados. Com algumas raras exceções.
Conforme está escrito, até então ninguém tinha dúvidas de que Jesus era de fato um homem de carne e osso, um ser humano como eles.
Quando Jesus dizia: “Eu sou a Vida”, não entendiam o que ele estava dizendo, como ainda hoje.
Devido Jesus ter alcançado aquele estado de lucidez espiritual diferenciado, ao descobrir sua verdadeira natureza espiritual interior, além da aparência física, ensinava que o ser humano comum poderia também alcançá-la, porém não acreditavam nesta possibilidade divina e discordavam de que ele a houvesse alcançado realmente.
Por isso, ele disse: “Não está escrito na vossa lei: vós sois deuses?” (João 10:30-34). Nesse caso, Jesus se referiu ao Salmo 82:6. Ou seja, todos nós somos seres espirituais, também dignos da Vida eterna. A própria Vida eterna.
[…]
Era mister que a vós pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que
rejeitam, e não se julgam dignos da vida eterna, nos voltamos para os gentios.
(Atos 13:44-46)
