Assim
falou Jesus se referindo a João Batista. Observe a sequência dos versículos do
livro de Mateus:
É
este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, que
preparará diante de ti o teu caminho. (Mateus 11:10)
Se
quiserem dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos para
ouvir ouça. (Mateus 11:14-15)
Ou seja, Jesus confirmou que João Batista era de fato o Elias que havia de vir, conforme a profecia do Velho Testamento.
Veja, na referência do rodapé de
sua Bíblia (caso tenha uma), que Jesus se referiu ao livro de Malaquias, em
Mateus 11:10. Ou seja:
Eis
que eu envio o meu anjo, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente,
virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais o anjo do concerto, a quem vós
desejais; eis que vem, diz o Senhor dos Exércitos. (Malaquias 3:1)
Eis
que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do
SENHOR; e converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a
seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição. (Malaquias 4:5-6)
Antes que algumas pessoas se
apeguem, novamente, somente às partes sombrias destes versículos, observe apenas
as partes mais otimistas, como Jesus costumava fazer, conforme veremos mais
adiante.
Consta também, no Evangelho de
Lucas, que o anjo Gabriel apareceu ao sacerdote Zacarias (pai de João Batista),
da ordem de Abias, antes do nascimento de João Batista, e falou-lhe a respeito
da missão de seu filho que nasceria brevemente, e acrescentou:
E
irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos
pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao
Senhor um povo bem disposto. (Lucas 1:17)
Em outras palavras, a fim de
preparar ao Senhor um povo mais otimista, apesar de alguns exageros da
narrativa do capítulo 1:5-25, devido às crenças daquela época.
O pai de João Batista, já sabia de alguma forma que seu
filho seria a reencarnação do profeta Elias, e que ele nasceria com determinada
missão.
Naquela época, faziam uso da Kabbalah
e previam o que iria acontecer. Por isso, seu pai se encarregou de encaminhá-lo
a uma religião no deserto, logo na infância, para começar a sua iniciação
espiritual (Lucas 1:80).
Quanto a Jesus, ele não pertencia
a uma família de sacerdote. Por isso, sua iniciação espiritual aconteceu por
sua livre e espontânea vontade, através de sua própria busca (Lucas 2:46).
Esse é o caminho do peregrino e
livre-pensador, que vive independentemente de doutrinas e sabedorias humanas (condicionamentos mentais).
Quando a pessoa aceita
interpretações da Bíblia, através de terceiros, sem questionar, mesmo que a mesma seja instruída e leia muito bem, ela simplesmente não lê nem enxerga com
seus próprios olhos, porque aceita comodamente uma interpretação como sendo
correta e definitiva. Logo, não lhe resta nenhum motivo para investigar
pessoalmente.
Se a interpretação anterior
estiver equivocada, os equívocos continuam sendo divulgados naturalmente entre
as pessoas, sendo geralmente aceitos como uma verdade máxima e incontestável.
Em seu livro O Caminho da Graça
para Todos, Caio Fábio sugere um exercício simples. Ou seja: ler a Bíblia como
se estivesse lendo pela primeira vez, livre das crenças e interpretações
superficiais de terceiros.
É interessante observar que Jesus,
como sempre fazia, resumiu o conteúdo dos versículos do livro de Malaquias,
aproveitando apenas o que era importante e mais significativo para aquele
momento. Algo que muitos não ousam fazer.
O mesmo aconteceu quando Jesus,
num dia de sábado, abriu a Bíblia no livro de Isaías, capítulo 61, a partir do
versículo primeiro, e leu resumidamente, conforme consta em Lucas 4:16-21.
Um observador atento percebe que Jesus,
ao ler o livro de Isaías, conforme descrito no livro de Lucas, optou por evitar
certas palavras utilizadas no passado, e foi direto ao que interessava. Evitou
inclusive o nome de “Deus” utilizado no passado.
Ao ler o Velho Testamento, Jesus
ignorou os termos, conforme descrito no livro de Malaquias: “Senhor dos
Exércitos” e “para que eu não venha e fira a terra com maldição”.
Não é tarefa fácil remover
novamente os equívocos herdados, que já haviam sido abolidos no passado por
Jesus Cristo (II Coríntios 3:14).
Ao contrário de João Batista, que
era filho de sacerdote, consta que Jesus sabia ler sem ter aprendido (talvez
sem ninguém o alfabetizar), conforme está escrito em João 7:15. O mesmo acontece
com algumas crianças superdotadas que aprendem cedo demais.
Conforme Jesus havia
exemplificado no livro de Mateus, os versículos do livro de Malaquias demonstrados
profetizavam o nascimento do Espírito do profeta Elias como João Batista, cuja
missão era “preparar o caminho do Senhor” (linguagem bíblica). Ou seja,
preparar as pessoas para assimilar e experimentar o Espírito de Cristo (Consciência
Crística). Cristo em nós.
Aquele/Aquela que muitos ainda buscam
fora de si. Aquele/Aquela que todos nós desejamos intimamente e ardentemente,
mesmo sem saber. Isso significa a nossa identidade espiritual esquecida. O
Templo é o nosso corpo.
Embora João Batista não tenha se
saído muito bem em sua missão, porque não conseguiu ir além da religião
dualista (moralista). Ele se acomodou a vida inteira em uma só religião.
Na verdade, a riqueza material ou
a segurança que o ser humano busca fora de si mesmo simboliza o nosso lar de
origem, nossa verdadeira identidade espiritual interior. Enquanto isso, nós
buscamos do lado contrário (na aparência), o que significa fome e sede
espiritual (carência, avareza, apego).
O surgimento do Espírito de
Cristo em seu “Templo” precisa acontecer (o despertar da nossa consciência
espiritual agora).
