Culto ao gênio distante


Após Jesus dizer, para os religiosos complexados de sua época, que ele e Deus (a Vida, Amor, Espírito) eram um só (João 10:30), eles pegaram em pedras outra vez para o apedrejarem, porque não acreditavam que o ser humano era digno de ser Filho de Deus.


Segundo a crença religiosa dos fariseus, se alguém pensasse dessa forma otimista, deveria ser morto:

 

Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus. (João 19:7)

 

Jesus, um homem que pregava o amor e a unidade, ousou proclamar que ele e Deus eram um só. Para os líderes religiosos da época, isso era inaceitável. Eles não apenas discordaram, mas ficaram furiosos. A ideia de um ser humano se considerar um com Deus, para eles, era tão absurda que merecia punição e até mesmo a morte.


Mesmo hoje, há aqueles que se aventuram a afirmar que são também filhos de Deus, parte de uma energia universal, da essência da vida eterna. No entanto, às vezes, ainda encontramos contradições em seus pensamentos. Eles expressam apenas crença, enquanto ao mesmo tempo duvidam de sua própria dignidade.


É difícil acreditar que somos todos filhos de Deus, que cada ser humano carrega dentro de si uma centelha divina porque fomos condicionados a pensar que apenas uma figura como Jesus poderia ter tal conexão especial com Deus. No entanto, ao fazer isso, acabamos por limitar o poder do amor que cada um de nós possui.


Aceitar que somos filhos de Deus não é arrogância, mas sim humildade. É reconhecer que estamos todos interligados, que cada vida é preciosa e digna de amor infinito. Não é sobre nos colocarmos acima dos outros, mas sim sobre reconhecer a grandeza que existe dentro de cada um de nós.


O que falta na religião é a obrigação de nos considerarmos a nós próprios como fonte de valores. (Nietzsche)

 

Aquele que não quer ver o que é elevado num ser humano, olha com tanto maior acuidade para o que é nele baixo e superficial – e com isso denuncia a si mesmo. (Nietzsche)

Por exemplo, certa vez eu disse a uma jovem “cristã” que a sua religião não admitia que o ser humano fosse também filho de Deus. Então ela disse que não era bem assim, afinal ela também acreditava que era uma filha de Deus.


Em seguida eu perguntei: E por que Jesus, para ser filho de Deus, teve que nascer de uma “mulher virgem”? Ela respondeu: “Porque ele nunca pecou”. Então lhe perguntei: Sexo é pecado? Ela demorou um pouco para responder e disse: “... sim... não...”. Ou seja, não tinha certeza de nada e, no íntimo, ainda acreditava que somente Jesus era digno.


Para não deixar alguma dúvida ou equívoco, na verdade nenhum ser humano nasce de fato de uma mulher virgem, isso significa fábula. Qualquer pessoa sensata sabe disso. A não ser que tal concepção seja fruto de uma inseminação artificial.


A propósito, sexo não é pecado nem impuro, como muitos aprenderam a acreditar. O sexo é natural. A natureza investe pesado nele, porque o ser humano deve deixar uma cópia sua, antes de morrer. Embora alguns optem por não deixar. Também está tudo bem.


Quanto a isso eu acrescento que: o sexo não é compulsivo somente porque a natureza investe nele, porém devido ao tabu, ao preconceito e à repressão imposta pelas religiões moralistas.


Para saber mais sobre o problema da repressão sexual, leia o livro do Osho, intitulado “Psicologia do Esotérico – Ed. Ícone”. Se tiver algum preconceito a respeito do Osho, deixe de lado porque vale a pena.


Quanto a Jesus nunca ter pecado ou cometido algum erro, refere-se a sua verdadeira natureza espiritual (Cristo em nós), e não exatamente ao Jesus histórico. Do contrário, ele não seria humano (real), porém apenas um mito, um indivíduo fictício (I João 4:1-4), porque o ser humano não é perfeito, fisicamente falando, como o próprio Jesus afirmou (Marcos 10:17-18).


Como podemos ser um espiritualmente, se ainda acreditamos que somos apenas um corpo físico (forma)?

 

Eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um como nós somos um. (João 17:22)

 

Jesus pregou a Unidade e não a dualidade. Ou seja, não existem “eu e Deus”, “você e Deus” separados, porém eu e a Vida somos Um só, como Jesus sempre ensinava.


Afinal, Jesus era também humano, de carne e osso como cada um de nós, conforme consta em I João 4:1-4. Do contrário, jamais conseguiríamos tal reconciliação espiritual (reconexão), senão teoricamente, e o Espírito de Cristo não se revelaria através de nós também, porque não acreditamos nem permitimos.


É importante compreender que quando se fala sobre Jesus como Filho de Deus, não se está falando apenas sobre sua figura histórica, mas sim sobre a expressão de sua natureza espiritual, o Cristo em nós. Esta compreensão nos permite perceber que a filiação divina não é exclusiva de Jesus, mas sim uma realidade potencial de todos nós.


É necessário ler com atenção os versículos de I João 4:1-4 sugeridos e assimilá-los corretamente, independentemente de crenças e preferências.


O objetivo do ensinamento otimista de Jesus era que alcançássemos também, como ele havia alcançado, que somos essencialmente Filhos, conectados à Vida eterna e não separados, conforme era e ainda é a crença das religiões moralistas (dualistas).


A compreensão moderna da Física Quântica nos ajuda a visualizar essa interconexão, demonstrando que tudo no universo está intrinsecamente ligado. Assim, a ideia de filiação divina se estende não apenas aos seres vivos, mas a toda a criação, incluindo objetos aparentemente inanimados.


Por não enxergar o Sagrado, não se tem respeito, amor e reverência pela vida cotidiana e pela natureza. Não me refiro a veneração de uma crença religiosa, mas a veneração a realidade da Vida e a natureza.


Um outro “obstáculo” que precisamos transcender é o complexo de inferioridade (culto ao gênio distante), a ideia antiga que herdamos de que não somos dignos da Vida eterna (Atos 13:44-46).


Ao reconhecer nossa verdadeira identidade espiritual, somos capazes de cultivar um profundo respeito e amor pela vida cotidiana e pela natureza que nos cerca.


Independentemente de crenças ou interpretações específicas, o cerne da questão reside em reconhecer a nossa conexão com Deus e honrar essa ligação através de uma vida vivida com amor e reverência pela sagrada maravilha que é a existência, a eternidade da Vida agora.

 


E. S. Jesus

Eu sou um autor dedicado à investigação e descoberta de aspectos ainda pouco conhecidos da Bíblia. Meu objetivo é esclarecer conteúdo ainda obscuros para muitos. Assim, convido você a embarcar nesta investigação comigo, onde exploraremos juntos esses conteúdos.

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