João Batista ficou sabendo sobre o Messias vivo, real posteriormente, através da comparação com as informações ou profecias do Velho Testamento. Porém, ele só veio saber realmente sobre o que Jesus andava fazendo quando estava na prisão, próximo de sua morte. Afinal, ele habitava no deserto distante e Jesus viveu apenas três anos, após começar a ensinar.
Antes de João
Batista conhecer o Messias vivo em sua época, ele teorizava intelectualmente a
respeito de um fenômeno que aconteceria na Terra, o qual a mente humana
condicionada sempre interpreta como sendo uma realidade que só pode acontecer
no passado ou no futuro, no presente não, porque nunca se considera digna (Atos
13:44-46).
Portanto, João
Batista não podia ter certeza de que Jesus Cristo era de fato o Messias, no
presente momento em que ele vivia (agora), conforme está escrito em Mateus
11:2-3.
Devido aos
comentários a respeito de Jesus, João Batista, quando já estava na prisão,
concluiu que Jesus poderia ser o Messias profetizado na Bíblia. Mas, na
verdade, a sua mensagem principal, baseada no Velho Testamento, se referia a
uma possível “salvação” no “futuro”, como ensina a maioria das religiões.
Enquanto isso, tal realidade divina, a presença de uma pessoa com a consciência espiritual desperta, ainda era, para ele, apenas uma possibilidade futura, uma hipótese, uma teoria intelectual de “salvação”, porque ele não tinha certeza disso. Por exemplo:
E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos a dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro? (Mateus 11:2-3)
É importante perceber o teor da mensagem, se vem do âmago do ser ou do intelecto superficial e teórico.
Após mim [depois, no futuro] vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno.
Ou seja, “ele sim é digno (o indivíduo iluminado no futuro), mas eu e você agora, ainda não, ou nunca seremos dignos também”. Mesmice de sempre.
Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água [matéria]; ele, porém, vos batizará [no futuro] com o Espírito Santo [despertar da consciência espiritual]. (Marcos 1:8)
O termo “Espírito Santo” é uma linguagem religiosa daquela época que hoje conhecemos com "Presença".
Apesar das diversas
interpretações semelhantes a respeito do batismo com fogo, o fogo é uma
descrição simbólica do Espírito. O fogo ilumina, aquece, dá ânimo e novo
alento. Trata-se do calor interior misterioso, conhecido como “elevação da
vibração interior”: alegria, entusiasmo e clareza de visão. Cristo em nós, aqui
e agora (Colossenses 1:26-28).
Esse fogo “queima”
as “palhas”, ou as “cascas” da personalidade humana (medo e desejo). O apego
chamado “amor condicional” (dependência). O combustível da compulsão: fome e
sede espiritual interior.
Nesse caso, tal
fenômeno (despertar espiritual) só poderia acontecer no futuro através de
alguém (homem ou mulher), mas não agora (tempo cumprido). Já Jesus ensinava de
maneira diferente: “O tempo está cumprido”, não há mais tempo para esperar.
O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo [...]. (Marcos 1:14-15)
Com base na
profecia do Velho Testamento, João Batista estava, na verdade, se referindo ao
despertar da consciência espiritual de um ser humano no futuro, e não
exatamente a respeito de Jesus Nazareno, como geralmente é interpretado.
Afinal, desde então, João Batista não conhecia Jesus, segundo os versículos
anteriormente demonstrados. Logo, ele não havia se referido especificamente a
Jesus, como sendo o futuro Messias, já que ele próprio não sabia e teve dúvidas
quando Jesus de fato apareceu agora (naquela época) e não no futuro que nunca
chega se não for agora.
A interpretação que
fizeram e ainda fazem é precipitada, porque João Batista não sabia quando isso
poderia acontecer. Por isso que, quando Jesus apareceu com aproximadamente 30
anos de idade, ele ficou em dúvida se Jesus era de fato o Messias, ou ele deveria
esperar outro (Mateus 11:2-3).
Jesus nasceu depois
de João Batista. No entanto, mesmo Jesus tendo nascido fisicamente depois de
João Batista, ele essencialmente não dependia de nascimento biológico
(nascimento e morte), como nós também, caso possamos reconhecer que fomos
criados segundo a imagem e a semelhança espiritual de Deus (Vida eterna,
Espírito vivo).
Ou seja, não somos apenas um corpo material perecível, mas a Vida infinita, o Espírito eterno que mantém o corpo físico animado.
O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida. (João 6:63)
Para quem não sabe,
palavras como estas de Jesus significam a letra da verdade sobre a Vida eterna.
Palavras de Vida eterna de que muitos não sabem, apesar de pregarem a Bíblia.
Enquanto uma pessoa
acredita que ela é o corpo físico (matéria) e somente Abraão, Moisés ou Jesus
foram dignos, então é como se ela não fosse digna da Vida eterna (Atos
13:44-46). Ou seja, é ainda ignorante a respeito da sua verdadeira identidade
espiritual.
Toda religião
dualista, e inclusive o que é considerado espiritualidade racional, significa
iniciação. Apenas um estágio de ignorância e maturidade espiritual.
Quando descobrimos que não somos fisicamente tão importantes quanto acreditávamos que erámos, e percebemos que não sabemos tanto quanto achávamos que sabíamos, a mente dualista e tagarela se “cala” e a Vida espiritual começa a se revelar espontaneamente a partir de dentro de nós. Para tanto, é preciso se permitir e se considerar digno também:
Em certo sábado, ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. Então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que rejeitam, e não se julgam dignos da vida eterna, nos voltamos para os gentios. (Atos 13:44-46)
O “problema” está
na “sabedoria intelectual”, ou tagarelice da mente que mente. A Vida já é
eterna e completa e não depende da suposta sabedoria da mente condicionada e
superficial (teorias e doutrinas).
Basta cessar a Vida interior, ou abrir mão das crenças e teorias intelectuais sobre a verdade espiritual, e experimentar de fato a Vida infinita interior. A Vida não é teoria intelectual, por mais “sábia” que a teoria seja.
Que
importa minha razão! Anda atrás do saber como o leão atrás do alimento. A minha
razão é pobreza, imundície e conformidade lastimosa! Que importa a minha virtude?
Ainda me não enervou. Como estou farto do meu bem e do meu mal. Tudo isso é
pobreza, imundície e conformidade lastimosa! (Nietzsche)
