Ao nos depararmos com passagens
bíblicas que descrevem os ensinamentos de João Batista, é fundamental perceber
a distinção entre sua mensagem e a de Jesus Cristo.
Embora João Batista
baseasse seus ensinamentos no Velho Testamento, é importante notar que Jesus,
conforme registrado em II Coríntios 3:14, veio trazer uma nova compreensão,
superando as antigas leis e práticas.
Vejamos alguns versículos da doutrina de João Batista, sem confundir com o que Jesus havia ensinado:
Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. (João 1:23-27)
Raça
de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzam, pois, frutos
dignos de arrependimento e não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai
a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos
a Abraão. (Mateus 3:7-9)
Apareceu
João batizando no deserto e pregando o batismo de arrependimento, para remissão
de pecados. E toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém iam
ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus
pecados. (Marcos 1:4-5)
Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das sandálias. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo. (Marcos 1:7-8)
Muitos consideram os ensinamentos de João Batista válidos, dado seu contexto histórico e religioso. No entanto, é importante observar que Jesus não praticou o batismo com água, como fez João Batista. Isso sugere questionarmos a verdadeira essência do batismo com água e sua importância no contexto espiritual.
[...] os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João (ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos). (João 4:1-2)
Consta que os
discípulos de Jesus praticaram o batismo com água, os rudimentos provisórios da
doutrina inicial de Cristo, que eram abolidos depois, como está escrito em
Hebreus, 6:1-2. Uma estratégia psicológica para conquistar a confiança das
pessoas habituadas as crenças religiosas de sua época.
Enquanto João
Batista pregava o batismo com água como um símbolo de arrependimento, confissão
e purificação dos “pecados”, Jesus trouxe uma compreensão mais profunda do
batismo do Espírito, que é o despertar da consciência espiritual em cada
indivíduo, aqui e agora.
Enquanto João Batista expressava sua própria inadequação (indignidade) semelhante a visão religiosa dos fariseus complexados, a verdadeira dignidade está na percepção da nossa verdadeira identidade espiritual.
João Batista,
embora profetizasse sobre a vinda do Messias, não tinha certeza se Jesus era
realmente aquele a quem ele aguardava. Suas dúvidas são evidenciadas em Mateus
11:2-3, demonstrando que sua compreensão estava limitada pelo contexto de sua
época e pela interpretação das escrituras.
A analogia do fogo
como símbolo do Espírito representa o despertar espiritual que ocorre quando
nos abrimos para a presença divina em nós. É um processo de transformação interna
que nos liberta da prisão da mente dualista e nos conduz à verdadeira conexão
com a nossa natureza espiritual.
Enquanto João
Batista afirmava não ser digno, logo, os seus seguidores também e aqueles que
herdaram parte de sua doutrina rígida. Dessa forma, tal “batismo” com “fogo” só
poderia acontecer depois, no “futuro”, através de um indivíduo especial e
sobre-humano (fictício), e não agora, hoje, através do ser humano real, de
carne e osso. Afinal, Jesus já estava presente, mas João Batista ainda não o
havia identificado naquele momento em que começou a ensinar e a batizar num
local distante no deserto.
Apesar das
interpretações diferentes sobre tais versículos bíblicos (Marcos 1:7-8) sugerindo
que João Batista demonstrou humildade, ao afirmar que não era digno, na verdade
quem não se considera digno da Vida eterna (Cristo em nós) são o corpo e a
mente carnal. Afinal, vieram do pó da terra. Porém, é preciso perceber e sentir
quem realmente somos essencialmente.
O fato de João
Batista não se considerar digno da Vida eterna demonstra que ele ainda tinha
uma visão materialista (dualista), como os fariseus, saduceus, escribas e
sacerdotes.
Jesus não pregava a
dualidade (eu e Deus separados). Por exemplo, ele pregava: “Eu e o Pai somos
um” (João 10:30); “Não está escrito na vossa lei: Vós sois deuses?” (João
10:34).
Como os líderes
religiosos daquela época planejavam apedrejar Jesus, devido à sua declaração de
que ele e o Pai eram um, ele esclareceu que a Escritura dizia o mesmo sobre
eles, ao afirmar que nós também somos, espiritualmente, deuses como ele.
