Segundo as palavras de Jesus: “João
Batista era a candeia que ardia e iluminava; e vós quisestes alegrar-vos por um
pouco de tempo com a sua luz” (João 5:35).
Observe a expressão
utilizada sabiamente por Jesus: “candeia que ardia e iluminava”, “vós
quisestes”, “alegrar-vos por um pouco de tempo” (provisoriamente). Conforme
registrado pelo apóstolo João.
Ao ler passagens
como essa, é importante não apenas passar os olhos rapidamente sobre as
palavras, mas também ponderar sobre seu significado. Jesus estava falando sobre
a natureza temporária e limitada da religião dualista praticada por João
Batista e seus seguidores.
Jesus havia feito
uma observação importante a respeito da superficialidade da religião de João
Batista, e muitos não perceberam, e outros entenderam que Jesus havia feito um
elogio e justificado a “importância” de tal religião dualista (moralista).
A palavra “candeia”
evoca uma imagem de uma luz pequena, frágil e temporária, que “queima” através
do fervor devocional. Essa luz pequena, fruto da sabedoria intelectual (sabedoria humana), embora possa alegrar temporariamente aqueles
que a buscam, é apenas um reflexo da verdadeira luz espiritual que já existe naturalmente em nosso interior.
Conforme consta,
essa pequena luz opcional alegra provisoriamente aqueles que ainda precisam,
devido à necessidade da iniciação espiritual, ou do estado de consciência em
que se encontra cada indivíduo, como foi o caso de João Batista.
Ou seja, apesar de
João Batista não batizar com “fogo” (Espírito, Lucidez), conforme consta em
Mateus 3:11, ele também tinha uma pequena luz ardente (alegria e entusiasmo
interior), apesar disso.
Ora, a missão de
João Batista não era “preparar o caminho do Senhor”? Então, por que Jesus fez
tal observação a respeito da religião dele?
Na realidade, este é o papel das religiões dualistas, uma iniciação espiritual provisória. Do contrário os indivíduos não evoluem. É necessário ir além das religiões como sugeriu também o sábio filósofo Nietzsche:
É preciso ter amado a religião e a arte como a mãe e a nutriz — de outro modo não é possível se tornar sábio. Mas é preciso poder olhar além delas, crescer além delas; permanecendo sob o seu encanto não as compreendemos. (Nietzsche)
Enquanto muitos se aproximavam de João Batista em busca de batismo e confissão de “pecados”, Jesus oferecia algo diferente: uma oportunidade para transcender as limitações da mente dualista condicionada e descobrir a nossa verdadeira natureza espiritual.
É fácil ficar preso
em dogmas e doutrinas religiosas, mas Jesus ensinou que a verdadeira
espiritualidade envolve olhar para dentro de nós mesmos e descobrir a luz
divina que já reside em nossos corações. Não se trata apenas de acreditar, mas
de experimentar e sentir essa conexão espiritual em um nível mais profundo.
Devido ao apego a
uma doutrina religiosa provisória, a pessoa não sabe e não quer saber que
adotou algo superficial e contraditório. Porque, apesar dos equívocos
adquiridos, estas pessoas também têm suas experiências místicas, embora
limitadas, conforme Jesus havia observado sobre a religião moralista de João
Batista.
Geralmente utilizam
palavras escatológicas, como a ira de “Deus” no futuro (ira futura), na
tentativa de intimidar e forçar a “conversão” (troca de uma crença de
condenação por outra).
Por sua vez, conforme evidencia a narrativa bíblica, a multidão adorava uma religião moralista de doutrina rígida. Porque toda a província da Judeia e os habitantes de Jerusalém procuravam João Batista, para serem batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus “pecados”, apesar da distância.
Todo mundo complexado, se sentindo “pecador”, indigno e separado de Deus. E muitos ainda acham tudo isso o máximo e que João Batista batizou Jesus realmente com o batismo de arrependimento de “pecado”. Que necessidade Jesus teria de fazer isso? Ele não pensava como a maioria e não tinha as mesmas necessidades.
Esse episódio
comprova que o público de Jesus era menor que o de João Batista, porque
João Batista pregava algo familiar e Jesus ensinava algo novo.
O Rio João não ficava tão perto. Ele se localiza no continente asiático, na região do Oriente Médio e escorre pelo os territórios de Israel, Síria, Cisjordânia e Jordânia.
Ao invés de buscar respostas fora de nós mesmos, em um local distante, devemos lembrar da metáfora da candeia de João Batista. A verdadeira luz espiritual ardente não está fora nem distante, mas dentro de cada um de nós, esperando para ser descoberta e vivenciada em toda a sua plenitude, aqui e agora.
