Presença divina

 


Segundo o Novo Testamento, há um só Senhor. Contudo, para compreender sobre a Unidade relacionado a Jesus Cristo como o Senhor, é necessário saber que “Jesus Cristo” é uma expressão bíblica do passado, que significa “Espírito de Cristo” (consciência espiritual revelada no indivíduo).

Quando falamos de “Jesus Cristo” no contexto bíblico, não estamos apenas nos referindo à figura histórica de Jesus de Nazaré, mas também ao “Espírito de Cristo”, que representa a consciência espiritual revelada em Jesus Nazareno. Esta consciência é essencialmente nossa verdadeira natureza espiritual, que vai além de nossa forma física.

Dentro de cada um de nós há uma essência que representa nosso verdadeiro eu. Esta essência, ou consciência espiritual, é o que o Novo Testamento chama de “Espírito de Cristo”. Não se trata apenas de um homem que viveu há dois mil anos, mas de um estado de ser, uma conexão com o ser interior que todos nós podemos acessar.

No entanto, muitos de nós não conseguimos enxergar essa luz interior. Por quê? Porque muitas vezes nos sentimos indignos ou insuficientes. A sociedade, nossas experiências de vida, e até mesmo nossas próprias inseguranças nos levam a acreditar que não merecemos essa conexão divina. Nos vemos apenas como seres humanos com todas as nossas falhas e limitações, e esquecemos que dentro de nós existe uma chama espiritual.

Para compreender melhor, pense em um diamante coberto de lama. A lama representa nossas dúvidas, medos e sentimentos de inadequação. Mas, por baixo dessa lama, o diamante continua brilhando, intacto e precioso. Da mesma forma, nossa consciência espiritual – nossa verdadeira natureza – permanece pura e resplandecente, mesmo quando não conseguimos vê-la.

É preciso olhar além da “lama”, reconhecer e aceitar que, independentemente de nossas aparentes imperfeições, somos dignos dessa conexão espiritual. Há um só Senhor, uma única verdade espiritual que permeia todas as coisas, e todos nós somos parte dessa unidade.

Reconhecer essa verdade pode ser um processo gradual. Requer paciência, autoaceitação e a disposição para olhar para dentro de nós mesmos. Mas à medida que começamos a ver além das nossas limitações e a perceber nossa verdadeira natureza espiritual, podemos experimentar uma transformação profunda. Sentimos uma conexão com o mundo, com os outros e com o universo. 

Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. (Colossenses 3:1-3) 

Vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos. (Colossenses 3:10-11) 

Ao despertar espiritualmente estamos “mortos” para este mundo. Porém, não é uma morte literal, mas sim uma transformação interior onde nos livramos das compulsões (vícios) e das carências que nos mantinham presos. Nossas prioridades mudam, e começamos a ver a vida de uma maneira completamente nova.

Esse processo de transformação é o que significa “ressuscitar espiritualmente com Cristo”. Não se trata de uma ressurreição física, mas de um despertar interior onde nossa vida se une à consciência Crística. É um estado onde nos tornamos novos, livres das velhas crenças.

Essa nova vida fica “escondida” em Cristo. Isso significa que, embora continuemos vivendo no mundo, nossa verdadeira essência está em unidade com uma consciência mais elevada. Ainda podemos participar das atividades sociais, como beber um vinho em uma ocasião especial, mas fazemos isso com uma nova perspectiva, sem as antigas dependências ou imposições doutrinárias.

O apóstolo Paulo nos aconselha a buscar coisas elevadas e sublimes precisamente porque, ao atingir essa nova consciência, estamos “mortos” para as antigas necessidades e apegos do mundo. Essa “morte” não é algo a ser temido, mas sim um despertar para uma realidade mais profunda e significativa. Nosso reino não é mais deste mundo; não estamos mais presos às carências e dependências materiais (apegos).

É como um pássaro que sempre viveu em uma gaiola e, um dia, a porta se abre e ele pode voar livremente, explorando o céu sem limitações. Assim é nossa vida espiritual quando ressuscitamos com Cristo: livres para explorar a profundidade de nossa verdadeira natureza, sem os grilhões do mundo material.

Esse despertar é acessível a todos nós. Não depende de dogmas ou rituais específicos, mas de uma transformação interior que nos leva a reconhecer e viver nossa verdadeira natureza.

Conforme está escrito nos versículos demonstrados, em Colossenses 3:10-11, com esta nova visão adquirida (desperta), percebemos que somos essencialmente a imagem eterna e perfeita da Vida, e não apenas um corpo material e mortal.

Revestimo-nos do novo, que se renova para o conhecimento da Vida eterna, segundo a imagem daquele que nos criou.

Neste estado de lucidez espiritual, todas as barreiras e discriminações desaparecem. Não importa a nacionalidade, descendência, ou doutrinas religiosas que antes nos separavam. Tudo isso perde sua importância porque o que realmente importa é que Cristo, ou o Espírito de Cristo, está presente em todos nós. É a liberação final do despertar da consciência espiritual, onde reconhecemos que estamos todos conectados ao Todo.

Antes desse despertar, estamos presos a uma visão limitada de nós mesmos. Mesmo alguém que é um pregador ilustre do Evangelho pode não reconhecer sua verdadeira identidade espiritual. Muitos ainda ensinam que apenas Jesus de Nazaré foi digno de ser filho de Deus, perpetuando a ideia de que a divindade é algo distante e inacessível para nós.


 

E. S. Jesus

Eu sou um autor dedicado à investigação e descoberta de aspectos ainda pouco conhecidos da Bíblia. Meu objetivo é esclarecer conteúdo ainda obscuros para muitos. Assim, convido você a embarcar nesta investigação comigo, onde exploraremos juntos esses conteúdos.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem