Jesus ensinou a mudar o nosso foco mental, a olhar além da ideia de que a salvação ou a perfeição estão sempre no futuro. Em vez disso, ele orienta a perceber que o Reino de Deus, ou qualquer nome que demos a esse despertar espiritual, está aqui e agora, pronto para ser experimentado:
Enquanto dizem faltam quatro meses até que venha a colheita, olhem para o alto [mudança de foco], para ver que os campos já estão brancos para a colheita (João 4:35).
Às vezes, as
palavras podem nos confundir. Traduções podem complicar o entendimento de
conceitos simples. Mas a mensagem subjacente é clara: não devemos procurar onde
não pode ser alcançado, no futuro imaginário da mente por algo que está ao
nosso alcance neste momento, agora.
Isso significa que
não precisamos mais buscar indefinidamente longe e fora de nós a suposta
“salvação” ou “perfeição”, como prometiam e prometem as religiões dualistas.
Se o “Reino de
Deus” (expressão daquela época) estava realmente distante de nós (no futuro),
como ensinavam as religiões, tal promessa nunca poderia se cumprir agora, na
realidade, porque o futuro é uma projeção mental e nunca se realiza, se não
acontecer agora no momento presente.
Enquanto o
indivíduo depende dos conceitos intelectuais opostos, bem e mal, perfeição e
imperfeição, etc., ele se encontra “preso” no labirinto da mente dualista
condicionada, entre os extremos de seus conceitos opostos, na dúvida e na
insegurança.
A dualidade, ou
conceitos opostos, é uma prisão “virtual” da mente humana dualista condicionada
(ilusão).
Os conceitos opostos e abstratos equivalem às grades ou ferros da prisão imaginária interior. O próprio indivíduo se autolimita.
Outrora os pensadores davam voltas como animais aprisionados e enfurecidos, sempre olhando as barras de sua jaula e arremessando contra elas, a fim de quebrá-las: e parecia beato aquele que por uma abertura acreditava ver algo de fora, no além e na distância. (Nietzsche)
É preciso
“enxergar” além da visão limitada da mente humana condicionada, adquiridas
desde sempre. E isso não significa ser um beato.
Recapitulando. Enquanto o indivíduo luta e se esforça através de teorias e doutrinas religiosas, espiritualistas e filosóficas para alcançar a suposta “perfeição”, significa que ele ainda está preso na Matrix da mente dualista condicionada, em seus conceitos intelectuais opostos, como “imperfeição e perfeição”. Por isso, não se considera também digno da Vida eterna (Atos 13:44-46).
Não há necessidade de luta e esforço humano para constatar e experimentar quem nós somos espiritualmente. A única exigência é a compreensão da letra da verdade sobre a nossa Vida eterna e a ponderação sobre seu significado, através da meditação diária em silêncio.
Se
você se recusar a acreditar que o mal tenha um poder além daquele que você lhe
atribui, por nele acreditar, logo se verá livre das várias formas sob as
quais o suposto “poder maligno” aparenta manifestar-se. (Vivian May
Williams)
