O conceito de escândalo no contexto bíblico

 


Na análise do conceito de escândalo, é fundamental compreender sua abrangência para além do contexto puramente religioso. Primeiro analisemos o conceito de escândalo segundo o contexto geral, para além do conceito apenas bíblico.

O termo “escândalo”, segundo o dicionário, significa chocar, causar indignação, transgredir os hábitos e os costumes, opor-se à moral vigente, sentir-se magoado, ofendido, humilhado, etc.

É interessante considerar que Jesus frequentemente chocava os religiosos moralistas de sua época ao ensinar de maneira contrária aos seus costumes e tradições. Essa atitude, considerada escandalosa por alguns, era uma forma de desafiar a moral vigente e promover uma reflexão mais profunda sobre os valores verdadeiramente importantes.

Um episódio marcante é registrado no Evangelho, quando Jesus diz que “os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus”. Esta afirmação causava surpresa e até indignação entre os religiosos moralistas da época, pois colocava em destaque pessoas socialmente marginalizadas como exemplos de retidão moral.

Entretanto, essa mensagem transmitida por Jesus não se limitava a uma simples inversão de valores. Ela carregava consigo uma crítica à hipocrisia e a moralidade religiosa conveniente.

Jesus e seus discípulos sempre transgrediam os hábitos e os costumes religiosos ultrapassados daquela época. Ele sempre agia ao contrário da moral vigente dos fariseus. Inclusive, às vezes ele pronunciava palavrões, como hipócritas, insensatos e cegos, raça de víboras, sepulcros caiados, filhos do diabo, guias cegos, raposa (astuto, oportunista), etc.

Vejamos como Jesus tratava os religiosos de sua época: 

Os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus. (Mateus 21:31) 

Imagine um religioso moralista ouvindo isso. Afinal, Jesus estava afirmando que as prostitutas e os cobradores de impostos eram mais honestos e tinham mais virtudes que eles.

Vejamos como Jesus se referiu ao conceito “escândalo”: 

Começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. (Mateus 16:21) 

E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens. (Mateus 16:22-23) 

Jesus utilizou a expressão “Satanás” (mentiroso), significando alguém, ou a mente superficial de alguém, que só compreende as coisas deste mundo e por isso servia de escândalo. E, por isso, conduz os demais ao “erro” (engano, equívoco), quando tenta explicar algo que não compreende nem alcançou, mesmo com boa intenção.

Geralmente nosso intelecto ler narrativas como esta de maneira fria, sem emoção. Agora, se coloque no lugar de Pedro naquele momento. Como teria ficado o estado emocional dele ao levar essa bronca de repente? O coitado pensou que sabia o que estava falando. A sua personalidade deve ter entrado em colapso.

Por que os religiosos e os líderes religiosos odiavam a Jesus, conforme demonstrado em Mateus 16:21? Porque Jesus trazia uma mensagem de liberdade e igualdade, algo diferente do que ensinavam na época. Ele falava de forma enérgica e verdadeira. Essa maneira única de ensinar e sua autoridade espiritual incomodava os religiosos que se consideravam donos da verdade.

Se Jesus estivesse hoje entre nós, seria tratado da mesma maneira pela maioria dos religiosos moralistas. Hoje dizem que amam a Jesus porque não conheceram ele pessoalmente. É mais fácil amar uma ideia ou um conceito do que realmente compreender e aceitar uma pessoa em sua totalidade.

Pedro não tinha a lucidez espiritual que Jesus havia alcançado, portanto, mesmo ele tendo boa intenção, estava equivocado em sua argumentação aparentemente lógica, falando sobre o que ele não sabia, porém lhe pareceu razoável. É dessa forma que se originam as teorias intelectuais de redenção.

Assim como aconteceu com Pedro, muitos cometem o tal “escândalo” o tempo todo, sempre que agem, falam ou escrevem, crendo que sabem o que estão dizendo.

Jesus disse em Lucas 7:23: “Bem-aventurado quem não se escandalizar em Mim”. E Pedro se escandalizou em Cristo (Espírito da verdade), devido conhecer apenas o conhecimento dual deste mundo em contraste com a sabedoria espiritual mais profunda.

Tal escândalo significa pregar um falso Evangelho e confundir as pessoas, a respeito de sua verdadeira identidade espiritual, divina e eterna. Significa ver apenas a aparência humana frágil e mortal como sendo a realidade absoluta, quando deveria ser o oposto. Ou seja: 

Daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já o não conhecemos desse modo. (II Coríntios 5:16) 

Observe. A maioria nada sabe sobre a nossa Vida espiritual divina e eterna. Não adiantou Jesus ter dito: “Eu sou a Vida”, “o Espírito é quem vivifica o corpo físico”, porque não compreendem o que seja a Vida eterna e infinita. Geralmente, só conhecem o termo “vida orgânica”, material e passageira.

É importante compreender que o escândalo que Jesus se referiu, está associado não a uma quebra de normas ou doutrinas, como outros entendem, porém, pregar a Bíblia sem saber o que está dizendo, sem fundamento espiritual e eterno. E isso não significa ser moralista nem imoral, porém lúcido espiritualmente falando.

O Novo Testamento também utiliza a palavra “escândalo” quando alguém ficava indignado (escandalizado), ao ouvir algo diferente de suas crenças religiosas.

 


E. S. Jesus

Eu sou um autor dedicado à investigação e descoberta de aspectos ainda pouco conhecidos da Bíblia. Meu objetivo é esclarecer conteúdo ainda obscuros para muitos. Assim, convido você a embarcar nesta investigação comigo, onde exploraremos juntos esses conteúdos.

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