És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro?

 


A antítese ou contraste entre João Batista e Jesus Cristo está evidente no Novo Testamento para as pessoas sinceras, que amam de fato a verdade.

Embora Jesus e João Batista fossem primos de segundo grau, foram criados distantes um do outro, por isso não se conheciam.

Na verdade, tentaram igualar a importância de Jesus com João Batista, como se não houvesse diferença na visão de ambos.

Por exemplo, consta no início do Evangelho de Mateus (3:13-17) que João Batista batizou Jesus nas águas do rio Jordão, e a maioria das pessoas que já leram ou ouviram a respeito acredita realmente nisso.

Para reforçar esta ideia, no Evangelho de João está escrito que João Batista disse: 

Eu não o conhecia, mas o que me mandou batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi e tenho testificado que este é o Filho de Deus. (João 1:33-34) 

Saber que Jesus era filho de Deus significa saber que ele era o Messias, claro. Uma pessoa que alcançou o despertar de sua consciência espiritual, aqui e agora.

Contudo, não está escrito também no mesmo Evangelho de Mateus, a partir do capítulo 11, que, um pouco antes de morrer decapitado na prisão, João Batista enviou dois de seus discípulos para perguntar se Jesus era realmente o Messias, ou ele deveria esperar outro?

Logo, João Batista não conhecia Jesus realmente, nem tinha certeza de que Jesus era o Messias. Está evidente aqui, uma contradição: 

E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos a dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro? (Mateus 11:2-3) 

Portanto, para perceber a falsificação, é necessário examinar minuciosamente, com uma mente livre de interpretações anteriores, do contrário não percebemos e aceitamos uma mentira como sendo a verdade.

Jesus, por sua vez, em sua humildade, não se autoatribuiu o título de Messias, mas sugere que João Batista observe os fatos com atenção, deixando que as evidências falem por si mesmas.

O curioso é que muitos pesquisadores independentes e aqueles ainda comprometidos com suas religiões não observam tais contradições. É preciso ser imparcial e priorizar a verdade, independentemente de crenças intelectuais e preferências religiosas.

João Batista, cuja missão era preparar o “caminho do Senhor” (iniciação para o despertar da consciência espiritual), falhou ao se apegar a sua religião moralista e conservadora.

Na verdade, João Batista foi encaminhado, ainda criança, para estudar em uma religião no deserto, pelo seu próprio pai, Zacarias, que era sacerdote do Templo de Jerusalém, permanecendo lá até a idade adulta, conforme sugere o Evangelho de Lucas 1:80.

Consta que o anjo Gabriel apareceu ao sacerdote Zacarias (pai de João Batista), da ordem de Abias, antes do nascimento de João Batista, e falou-lhe a respeito da missão de seu filho que nasceria brevemente, e acrescentou: 

E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. (Lucas 1:17) 

Se João Batista veio no espírito e virtude do profeta Elias, nesse caso, ele era um espírito voluntário. Pena que, ao nascermos aqui, esquecemos nossa missão programada na dimensão espiritual e temos que começar do zero.

Conforme consta, João Batista pode ter sido a reencarnação do espírito de Elias, como Jesus sugeriu também: 

E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. (Mateus 11:14) 

Em outras palavras, acredite se quiser, disse Jesus.

Quem estuda a verdade espiritual sob diversos ângulos sabe que não existe algo mais pobre do que permanecer na mesma religião a vida inteira, sem estudar a verdade espiritual abordada através de diversos ângulos, como aconteceu com João Batista que permaneceu em sua religião como um monge a sua vida inteira.

O verdadeiro cientista investiga livremente o que é novo e desconhecido, porque não tem uma visão comprometida, padronizada ou condicionada por crenças convenientes.

Por sua vez, Jesus ainda criança, ao estudar com os indivíduos considerados, naquela época, doutores da lei (doutrina religiosa), consta que ele ouvia e interrogava (perguntava, investigava), e não apenas aceitava uma doutrina religiosa pronta, como geralmente acontece.

O questionamento feito por Jesus aos “doutores” “sabidos da lei”, quando ainda criança, foi algo que poucos faziam, devido a aceitar a sabedoria intelectual vigente como correta e definitiva.

Inicialmente, através do questionamento mental, nós “compreendemos” intelectualmente (teoricamente) para depois começar a sentir e vivenciar. Todavia, enquanto dependemos apenas da consciência intelectual, somos sonhadores, ou teóricos, mesmo que sejamos considerados espiritualistas, filósofos ou cientistas. Porém, ao vivenciar, começamos a transcender a mente dualista condicionada e teórica.

De maneira independente, enquanto seus pais nem sabiam onde ele estava, conforme está escrito no Evangelho de Lucas 2:40-46, Jesus, em cuja infância já revelava uma busca incessante por conhecimento. Aos 12 anos, já demonstrava uma curiosidade inata, questionando e dialogando com os doutores da lei, buscando compreender além das doutrinas estabelecidas. Sua trajetória era caracterizada pela liberdade de pensamento, pela independência intelectual e pela vontade de desafiar o status quo.

Desde muito cedo, Jesus já demonstrava sua independência e liberdade, ao contrário de João Batista, que estudou uma só religião durante toda a sua vida, obrigatoriamente (Lucas 1:80).

É fundamental examinar criticamente as narrativas, livres de interpretações preconcebidas. É fácil cair na armadilha da falsificação quando não questionamos, quando não nos permitimos ver além das narrativas estabelecidas. O verdadeiro caminho para a verdade exige imparcialidade e uma busca constante, independentemente das crenças pessoais ou religiosas.

Portanto, ao contemplarmos essas figuras, começamos a refletir sobre nossos próprios caminhos espirituais. Seremos como João Batista, presos às convenções e tradições, ou seguiremos o exemplo de Jesus, buscando constantemente expandir nossos horizontes, questionando e vivenciando a verdade em sua plenitude? 

O modo mais seguro de se corromper um jovem é instruí-lo a manter uma estima mais alta, por aqueles que pensam como ele, do que por aqueles que pensam diferente. (Nietzsche)


 

E. S. Jesus

Eu sou um autor dedicado à investigação e descoberta de aspectos ainda pouco conhecidos da Bíblia. Meu objetivo é esclarecer conteúdo ainda obscuros para muitos. Assim, convido você a embarcar nesta investigação comigo, onde exploraremos juntos esses conteúdos.

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