A tentação no deserto árido da mente

 


Às vezes, um texto bíblico não está se referindo a um fato histórico, porém a um fenômeno mental ou psicológico. Esta é uma arte muito rara e difícil de executar através da escrita. Requer muita lucidez espiritual para isso. Por exemplo:

Porém Balaão respondeu e disse a Balaque: Não te falei eu, dizendo: Tudo o que o Senhor falar, aquilo farei? Disse mais Balaque a Balaão: Ora, vem, e te levarei a outro lugar; porventura, bem parecerá aos olhos de Deus que dali mo amaldiçoes. Então, Balaque levou Balaão consigo ao cume de Peor, que olha para a banda do deserto. (Números 23:26-28) 

A nova tentativa do rei Balaque em subornar a consciência de Balaão é exatamente a mesma tentação psicológica de Jesus no deserto árido da mente, quando Jesus “foi colocado” também sobre o pináculo (cume) do "templo", conforme está escrito em Mateus 4:5.


Esta é a tentação experimentada por todos os iniciados que buscam a verdade espiritual. Afinal, Jesus era real, um ser humano como nós, de carne e osso, como confirmam estes versículos bíblicos: I João 4:1-4.


Geralmente alguns não compreendem porque interpretam a Bíblia somente ao pé da letra. Por isso, muitos idolatram o Jesus histórico e não sabem o que é o Espírito de Cristo (Cristo em nós). Consciência espiritual.


A tentação significa que o iniciado ainda se identifica ou se preocupa com valores materiais, aceita o suborno ou a sugestão mental, e resolve barganhar ou se dedicar exclusivamente a ganhar mais dinheiro, e assim perde tempo.

Enquanto isso, ele visa somente os bens materiais, os valores superficiais e passageiros deste mundo. O verdadeiro valor da Vida real interior é ignorado ou fica para segundo plano (depois). Em seu interior acontece algo como: 

Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto. (Número 24:17) 

O iniciado não se empenha mais em conhecer a Si mesmo e deixa o silêncio e a contemplação (contato interior). Ou seja, deixa a autoinquirição e a meditação (ponderação) para depois.


Ele não consegue soltar, aceitar e deixar fluir para a Graça se revelar espontaneamente em sua vida cotidiana.


A dificuldade aqui está no fato de que muitas vezes o ato de soltar é mal interpretado como simplesmente cruzar os braços e permanecer inerte. Como se fosse apenas aguardar que tudo aconteça por milagre. Isso acaba se confundindo com a falta de assumir a responsabilidade pela própria existência, de encarar a vida de frente e de realmente agir para colaborar na construção de uma realidade mais bela, próspera e harmoniosa ao nosso redor.


Quem explica de forma clara e profunda sobre o “soltar”, “aceitar” (fluidez) é o professor Hélio Couto e Jacob Petry.


Durante muitos anos, soltamos e assumimos o controle de novo, soltamos e assumimos o controle, até que um dia estamos exaustos e frustrados e conseguimos finalmente soltar e confiar, ou talvez ainda não. A maioria das pessoas só consegue soltar na hora da morte, porque não tem outra opção. 

Vinde a mim, os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mateus 11:28-30) 

Não significa que ganhar dinheiro seja algo negativo. Depende do foco, apego ou desapego. Os bens materiais são necessários neste mundo relativo, porém não devemos nos apegar, nem nos dedicar exclusivamente a eles, porque “nem só de pão vive o homem” (Mateus 4:4). 

Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Marcos 8:36) 

A “sabedoria humana limitada” dificulta a solução perfeita da Vida real interior. É necessário humildade e paciência. Todavia, não significa ficar de braços cruzados, sem fazer nada. É preciso soltar e deixar Deus (a Vida) fazer através de nós. Não perder o foco do que realmente importa, fazer sempre a nossa parte com amor e dedicação.





E. S. Jesus

Eu sou um autor dedicado à investigação e descoberta de aspectos ainda pouco conhecidos da Bíblia. Meu objetivo é esclarecer conteúdo ainda obscuros para muitos. Assim, convido você a embarcar nesta investigação comigo, onde exploraremos juntos esses conteúdos.

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