Qual era a função dos escribas?

 


O termo “escribas” refere-se aos chamados doutores e mestres. Homens especializados no estudo e na explicação da lei ou Torá. Eles tinham grande influência e eram muito considerados pelo povo. Existiam escribas partidários de diferentes seitas, tais como os fariseus (a maioria), os saduceus e os essênios.


No Novo Testamento, a maioria dos escribas se opôs aos ensinamentos diferentes e revolucionários de Jesus (Marcos 14:1; Lucas 22:2).


Alguns escribas ficaram famosos, tais como Hillel e Shamai. Ambos eram líderes de tendências opostas na interpretação da lei. Hillel era mais liberal e Shamai era mais rigoroso e conservador.


A Casa de Shamai, por exemplo, pregava que um homem só podia se divorciar de sua esposa por alguma transgressão grave, mas a Casa de Hillel permitia o divórcio por delitos triviais. Estas questões eram apenas costumes sociais e/ou religiosos, tratados por pessoas de diferentes opiniões, crenças e preferências religiosas.


Após o desaparecimento do templo de Jerusalém, no ano 70, não havendo mais a figura do sacerdócio judaico, a influência dos escribas passou a ser ainda maior.


Os escribas eram profissionais que tinham a função de escrever textos, registrar dados numéricos, redigir leis, copiar e arquivar informações. Como era uma arte que poucas pessoas dominavam, eles possuíam grande destaque social.


Eram geralmente funcionários reais, comandados pelo governante, e deviam registrar tudo o que seu superior ordenasse. No Egito antigo, eles tinham uma importante função e ocupavam lugar de destaque na sociedade egípcia, pois eram conhecedores da escrita demótica e dos hieróglifos.


Os escribas ainda escreviam sobre a vida dos faraós, registravam a cobrança de impostos e copiavam textos sagrados de livros antigos. Como copistas, eles passavam longos períodos de tempo copiando livros. Isto era necessário porque os registros eram feitos em materiais frágeis, tais como tabuletas de barro, papiro e, mais tarde, pergaminho, os quais se deterioravam com facilidade. Para que os registros não se perdessem, os escribas faziam sempre novas cópias.


Faziam parte da elite social de todos os reinos, dada a sua importância. Eram uma importante figura nos vários aspectos da administração civil, militar e religiosa do antigo Egito. Eles se encarregavam de organizar e distribuir a produção; de controlar a ordem pública; de supervisionar todo e qualquer tipo de atividade. Obedeciam à autoridade dos faraós ou dos templos.


Conhecer a escrita era a chave para toda a erudição daquele tempo e os escribas se tornaram os depositários da cultura leiga e religiosa, dominando, assim, todas as atividades profissionais, a ponto de ocuparem até os cargos de oficiais do exército durante o império novo.


Esta foi a descrição das atividades dos escribas no passado, para termos uma ideia a respeito da influência deles na sociedade e na religião.


Eles tinham poderes e privilégios que a maioria não tinha. Por isso, devido a interesses particulares e religiosos, tomaram certas providências, que acabaram interferindo na história da humanidade, conforme consta no próprio Novo Testamento.


Nos Evangelhos, Jesus havia criticado os escribas, por terem retirado da Bíblia a Chave da Ciência” (Lucas 11:52). Inclusive, quase todo o conteúdo de Melquisedeque foi retirado do livro do Gênesis, restando somente sete versículos.


Estes detalhes deveriam chamar a atenção das pessoas que estudam a Bíblia. Por exemplo, vejamos o que diz o historiador Flávio Josefo sobre o assunto: 

Os fariseus impuseram ao povo muitas leis provenientes da tradição dos Antigos, que não estavam escritas na Lei de Moisés. (Flávio Josefo, Antiguidades judaicas, XIII, 10,6)

 

O que o historiador Flávio Josefo escreveu sobre as leis antigas impostas ao povo (e à humanidade consequentemente) é a mesma coisa que Jesus e Nietzsche também haviam percebido. Isso significa a criação de uma nova religião (organização) no passado, com informações e rituais selecionados de outras religiões mais antigas, com determinada finalidade.


No mundo dualista em que vivemos, uma nova religião pode até ser útil, dependendo de seu conteúdo e objetivo. O problema é o conteúdo antigo ultrapassado reaproveitado. Isso mantém as pessoas com a mesma visão doentia de ontem, apegadas ao passado. Inclusive, dependendo do teor do conteúdo, pode ser catastrófico para a sociedade e o mundo. 


Meus irmãos, alguém olhou uma vez o coração dos bons e dos justos e disse: “São os fariseus”. Ninguém, porém, o entendeu. (Nietzsche) 

 

Fonte: 

Henri-Jean Martin, The History and Power of Writing, University of Chicago Press, 1995. 

David McLain Carr, Writing on the Tablet of the Heart: Origins of Scripture and Literature, Oxford University Press, 2005. 

Barry J. Kemp, Ancient Egypt: anatomy of a Civilization, Routledge, 2006.


 

E. S. Jesus

Eu sou um autor dedicado à investigação e descoberta de aspectos ainda pouco conhecidos da Bíblia. Meu objetivo é esclarecer conteúdo ainda obscuros para muitos. Assim, convido você a embarcar nesta investigação comigo, onde exploraremos juntos esses conteúdos.

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