A prática da não-ação, ou karma yoga, é como dançar com a vida sem esperar um aplauso em
troca. É como se deixar levar pela música da existência, sabendo que é o ritmo
do universo que nos conduz.
Embora
fazendo ou realizando algo com entusiasmo, sem buscar recompensas imediatas, é
natural colher posteriormente os frutos de nossas ações realizadas com
dedicação e amor.
Entretanto,
o ego sempre anseia por reconhecimento e acredita ser o protagonista das nossas
ações. Esse estado de “consciência” limita a livre expressão da vida através de
nós.
Servir
com amor e devoção é uma expressão do propósito interno que promove a conexão
com a nossa essência. É a harmonia entre descobrir quem somos e expressar
nossos dons de forma autêntica no mundo.
Criar algo com amor e naturalidade é como plantar uma semente no solo fértil do coração e permitir que ela cresça e floresça no seu próprio tempo. Não há pressa, não há ansiedade pelo resultado. É um processo de dar à luz uma obra genuína, feita com cuidado e atenção plena, como um milagre se desdobrando diante dos nossos olhos.
É natural que se esperem os resultados. Se ambições não satisfeitas fazem com que você fique triste, frustrado e perca a objetividade, aí, sim, você está sendo um fracasso. Porém, se você pode aceitar o resultado, qualquer que ele seja, você é uma pessoa bem-sucedida. (Dayananda Saraswati)
Todos
nós, independentemente de sermos considerados talentosos ou não, podemos
iniciar um processo de criação. Não é uma questão de inteligência intelectual,
mas sim de estar conectado com nosso propósito interior e comprometido com o
propósito exterior. A inteligência e a sabedoria necessária se revelam através
de nós.
Após iniciarmos um processo de criação, fazendo o que de fato amamos, a destreza necessária vai se desenvolvendo paulatinamente, guiada pelo entusiasmo e pela dedicação.
O mais confiante saber ou fé não pode proporcionar a energia para o ato nem a destreza para o ato, não pode substituir a exercitação do mecanismo sutil e múltiplo, que deve ocorrer para que algo possa converter-se de ideia em ação. Sobretudo e principalmente as obras! Ou seja, exercício, exercício, exercício! A “fé” correspondente logo aparecerá – estejam certos disso! (Nietzsche)
Cada um de nós possui um dom único, uma aptidão natural que espera ser descoberta e cultivada. Ao exercitar constantemente nossas habilidades naturais, nos tornamos especialistas naquilo que amamos fazer, enquanto gerenciamos nossos pontos fracos.
Todos possuímos as nossas plantações e os nossos jardins ocultos em nós; para empregar uma outra metáfora, somos todos vulcões em atividade que terão sua hora de erupção. (Nietzsche)
Para
aperfeiçoar nosso talento, é preciso dar o primeiro passo. Começar a executar
esse talento pouco a pouco, mesmo tendo ainda alguma dúvida e pouca habilidade
inicialmente.
Utilizar
atalhos, ou apenas imitar aqueles que já dominam uma habilidade há anos é como
tentar colher frutos sem ter plantado as sementes. Essa atitude pode levar à
frustração e ao desapontamento. No entanto, tudo o que aprendemos ao longo do
caminho, através dos cursos e nas experiências frustrantes, pode ser um
trampolim para o nosso crescimento.
Enquanto
isso, podemos somar nossas habilidades desenvolvidas com habilidades de outras
pessoas, através de parcerias.
Cultive
suas habilidades com dedicação, alegria e humildade, confiante de que cada
pequeno passo é parte de um processo belo e transformador.
Os
vícios vão se dissolvendo sem esforço e sem pretensão de ser perfeito, à medida
que nos entregamos ao fluxo criativo da vida sábia interior.
Jacob Petry ensina sobre os diferentes níveis de propósito: interno, externo e supremo. Descobrir esses propósitos significa encontrar o equilíbrio entre o que realmente somos essencialmente e o que fazemos.
Podemos nomear grandes homens de toda
espécie que foram poucos dotados. Mas adquiriram grandeza, tornaram-se “gênios”
(como se diz) por qualidades de cuja ausência ninguém que dela esteja cônscio
gosta de falar: todos tiveram a diligente seriedade do artesão, que primeiro
aprende a construir perfeitamente as partes, antes de ousar fazer um grande
todo; permitiram-se tempo para isso, porque tinham mais prazer em fazer bem o
pequeno e secundário do que no efeito de um todo deslumbrante. (Nietzsche).
Fonte: Livro: Decifrando os Segredos do Evangelho (Pedro, um jovem autista). "Em revisão"
